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Atividade desportiva informal

No desporto a atividade físico-desportiva é um fenómeno com grande relevância social, que, se bem estruturado por todas as entidades responsáveis, tem um impacto marcante na formação integral de um jovem adolescente. Por questões culturais e organizacionais há países que são reconhecidos pelos resultados desportivos a todos os níveis quer sejam eles desportos coletivos ou individuais, na formação ou na competição. Este processo não aparece de um dia para o outro, não existem fórmulas mágicas e muito menos não se podem querer ou exigir resultados imediatos sem que exista uma base estruturada e bem organizada, de cima para baixo ou vice-versa, dando todas as condições para que a formação possa trabalhar e evoluir, condições essas para todos os intervenientes, ou seja, jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros/oficiais de mesa, fisioterapeutas, pais, entre outros. Mas a evolução do atleta também se dá fora do âmbito da escola, do clube ou de outra qualquer entidade que organiza a prática desportiva, aliás, tão importante (para não dizer muito importante) é a prática informal, prática essa que muitos benefícios traz ao desenvolvimento do jovem praticante e ao seu impacto na sociedade. Existem países, por essa Europa fora, em que as áreas de prática desportiva são abertas ao público, começando com campos de futebol ou basquetebol de rua, em excelentes condições, com luz artificial, para durante a noite permitir que também se pratique desporto. Os diversos jardins e parques incluem outras infraestruturas desportivas importantes para a população em geral, sempre muito cuidadas e ao dispor das populações. Em Portugal a prática desportiva informal tem vindo a desaparecer do quotidiano da vida dos adolescentes. Poder-se-iam enumerar diversas razões para este facto se ter tornado realidade, no entanto, gostaria de referir que se perdeu uma força incrível, a força do bairro, do sair à rua, da convivência com o próximo pois os adolescentes privilegiam as redes sociais, frequentam a escola e os clubes mas isso não faz com que exista espaço para a prática informal. Recordo com saudade as horas e horas que passei na rua jogando com amigos e desconhecidos, aprendendo a errar, aprendendo a explorar o jogo, a discutir as regras, no fundo, a crescer como pessoa e jogador e penso que esta prática informal faz falta a um país que tem todas as condições para ser tão bom como os outros e disso já demos provas. Sabemos que o dinheiro é sempre um fator importante, que existem condições para começar um trabalho de base para que os resultados apareçam daqui a 10 anos. O nosso país está de longe melhor equipado agora do que há 20 anos, existem mais pavilhões com condições para a prática das modalidades, mas em sentido contrário, os clubes de bairro, que davam a força a que me referi atrás, foram desaparecendo e o jogar na rua, o brincar em frente à casa desapareceram muito por culpa de políticas erradas que fizeram esquecer o conceito de comunidade. Creio que é altura de reestruturar os modelos e centrar as atenções na construção correta do jovem atleta para que ele se forme e cresça naturalmente, seguindo o nosso próprio caminho!...
Autor: Luís Covas
DM

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16 fevereiro 2018