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Às vezes, até quando pensamos, não pensamos no mais simples, no mais elementar, no mais evidente.
Ou, então, agimos em sentido contrário ao do pensamento.
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Sabemos que tudo passa, mas actuamos como se nós não passássemos, como se as nossas conquistas fossem irreversíveis.
Depreendemos que as nossas decisões não serão revertidas por ninguém.
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Era bom, por isso, que escutássemos o grande Agostinho de Hipona: «Todos os dias do tempo vêm para deixar de ser. Cada hora, cada mês, cada ano, tudo passa».
E nós – mesmo com os nossos tesouros e as nossas ambições – também havemos de passar.
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Por conseguinte, para que tantos ódios, tantos conflitos e tantas vítimas?
Porque não percebemos que os que matam também morrem? Que os que – compulsivamente – impedem os outros de (continuar) a ser também hão-de deixar de ser?
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Voltando a Santo Agostinho, diria que é tempo de compreender que cada momento só «antes de vir, será; quando tiver chegado, deixará de ser».
Um presuntivo vencedor não se eterniza na sua vitória. Também enfrentará a sua hora de partir.
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Parece que os imperadores romanos, quando celebravam triunfos militares, faziam questão de se acompanhar de um escravo.
A sua única função era dizer-lhes, à guisa de um oráculo: «Olha que também és mortal». Por outras palavras, era como se lhes lembrasse: «Mataste, mas também morrerás».
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Já não é pouco viver e aprender a viver. E muito melhor viveríamos se, na vida, também aprendêssemos a morrer. Notaríamos que, afinal, até estamos todos ligados, até somos todos irmãos.
Se a morte atinge a todos, porquê infligi-la — desapiedadamente — a tantos? As vítimas passam, mas os que as provocam também não são perpétuos.
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Já verificamos que estamos sempre a dizer «foi»? Afinal e como poetou António Gedeão, «tudo é foi».
Só Deus «É». E – de novo Santo Agostinho –«como é grande este «É».
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«Diante d’Ele, que é o homem, seja ele qual for?» Não esqueçamos que «uma geração passa, outra lhe sucede».
As gerações humanas «são como as folhas nas árvores. A terra leva sobre si os homens, como uma árvore. Mas, olhando para debaixo da árvore, vemos que caminhamos sobre um tapete de folhas secas».
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Juntemo-nos a Deus; não pretendamos – seria o supremo topete –substituirmo-nos a Deus. No fundo, «quem somos nós, com os nossos anos, que mais não são do que farrapos?»
Como alertou Karl Kraus, não demos (mais) razões de optimismo ao diabo, que «está a tornar os homens piores». Paremos as guerras. Arrumemos as armas. Pensemos na vida. E deixemo-nos conduzir por Deus!
Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira