“ A saúde não é tudo, mas sem ela o resto de nada vale”. Fechem as escolas.
Dizem-nos que as medidas preventivas da COVID têm sido tomadas com base na evidência científica. Mas isso não é verdade. Há argumentos que indicam que as escolas são locais seguros, só que os alunos, os professores e os auxiliares, não vão para as aulas de para quedas. Andam de utilizarem transportes públicos, vão comer a vários locais que forneçam snacks….etc. Ou seja, as escolas abertas, aumentam a circulação de pessoas, e por isso mesmo, o risco de transmissão do vírus.
Os alunos, além disso, estabelecem contactos fora da escola, sem grande proteção. Isto para não falar nos mais novos, que não usam máscara, e que por isso, estão menos protegidos. Se esta doença não é muito grave em crianças e adolescentes, é sabido que elas podem transmitir a infeção aos familiares e amigos.
Não é por acaso que muitos países fecharam mesmo tudo. Até universidades.
Alertamos ainda para o facto da nova variante do vírus, mais comum no Reino Unido, se propagar a uma velocidade maior entre os mais novos.
Embora a sua virulência seja igual à da estirpe dominante, a verdade é que, ao atingir mais gente, pode causar mais mortalidade.
Argumentos de natureza pedagógica para a promoção do ensino a distância.
A primeira nota que queremos dar é que há muito mais ciências para além das ciências naturais e das ciências médicas. Há um conjunto de ciências, vulgarmente designadas por ciências ocultas, que são as ciências da educação, que podem aportar argumentos tão científicos como qqr outra ciência, para esta discussão das vantagens e desvantagens do ensino a distância vs presencial.
O Ministro da Educação defende a manutenção das aulas presenciais, com base na “evidência”, de que o ano passado, o ensino a distância não correu bem, ou melhor, não seria para repetir.
Teoricamente, isso parece aceitável. Mas onde é que está a evidência científica que suporta esta ideia?
Se olharmos para os números do insucesso escolar, no ensino secundário, as notas de exame, até melhoraram. Isso é objetivo. Claro que se pode dizer que o exame, tendo também sofrido alterações, foi o responsável pelo sucesso educativo.
É aceitável que o novo formato do exame, possa ter favorecido o sucesso, o que é bom, mas este não teria ocorrido, se o ensino a distância, fosse assim tão calamitoso.
Como em tudo na vida, tem vantagens e desvantagens.
A vantagem do ensino a distância, virtual, é que o aluno pode ver e rever a aula, se esta for gravada. E com o ensino assíncrono, pode ter, até, mais acesso ao professor. O ensino virtual só é verdadeiramente demolidor, para as disciplinas práticas. De resto, tem algumas vantagens em relação ao ensino presencial. Para não falar na vantagem ambiental e económica, por evitar muitas deslocações.
Em resumo, penso que no ensino secundário já se devia ter optado por um regime misto, tal como acontece nas universidades, desde o início das aulas. Aulas em regime de e-learning e aulas presenciais, sobretudo, as aulas práticas.
Em termos de alterações no ensino, bem que se poderia aproveitar a pandemia para reduzir programas, modificar práticas de avaliação e inovar nas práticas pedagógicas.
Mas parece que não. Queremos que tudo continue na mesma, mesmo em tempo de pandemia.
Que velhos do restelo estão à frente da Educação. E tão novos.
Mas tudo o que escrevi há quatro ou cinco dias (este texto foi escrito de rajada há mais ou menos uma semana) perde atualidade perante os números atuais da pandemia.
Encerrar as escolas, é uma emergência.
Autor: José Precioso