Anteontem, tive a oportunidade de me dirigir de novo à Assembleia Municipal de Braga para exprimir o agradecimento do Movimento de Cidadania Contra a Indiferença a todas e a todos os eleitos que se empenharam para que Braga atingisse uma das mais altas participações nas eleições legislativas. Não sendo possível publicar aqui a intervenção na íntegra, recordo, apenas, algumas das passagens da intervenção, começando por recordar que daqui a sensivelmente a um mês — 24 de Março – o tempo em que vivemos em Democracia, em Portugal, suplantará o tempo que durou a ditadura. É um marco que assinala o arranque das comemorações oficiais dos 50 anos de Democracia no nosso país- num tempo em que somos de novo assolados pela tempestade da guerra na Europa.
“Hoje, estamos mais convictos, mais fortes, mais encorajados a fazer mais e melhor na nossa e pela nossa comunidade. Tal só será possível com o reforço da vossa ajuda, empenho e esforço para que o trabalho iniciado perdure, amadureça e frutifique como julgamos ser desejo de todas e de todos. Nesta nota de reconhecimento – alargada a toda a sociedade civil- não podia deixar passar em claro, o empenho de inúmeras associações e instituições que deram a cara e sem tibieza, empenharam-se para atingirmos o objetivo de inverter a curva da abstenção. Os autarcas deram o exemplo e permitam-me que destaque, simbolicamente, os presidentes de Junta de Freguesia de S. Victor, S. Lázaro e S. João de Souto, S. Vicente, União de Maximinos, Sé e Cividade, União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe e União de Freguesias de Ferreiros e Gondizalves. A Declaração de compromisso que assinaram é, também, uma Carta de Compromisso para o futuro, para o trabalho que nos espera no combate à iliteracia política e à Indiferença. Lançamos aqui o apelo para que os outros autarcas subscrevam esta Declaração que é já um marco no que constitui a assunção das responsabilidades que cabem às eleitas e aos eleitos. Reconhecimento que se estende à Câmara Municipal de Braga que, em boa hora, decidiu lançar uma campanha de apelo ao voto junto dos mais novos”. Aproveitamos a ocasião, para fazer um apelo ao presidente da Câmara de Braga para que seja recuperado o monumento da autoria do escultor José Rodrigues, inaugurado na avenida Pires Gonçalves, a 25 de Abril de 1993, pelo Presidente da República, Mário Soares. Registei na altura e recordo aqui, as suas palavras quando viu a obra: “A Aurora da Liberdade”. “Saibamos honrar as suas palavras neste tempo em que as autocracias ganham terreno à Democracia um pouco por todo o Mundo. Os números falam por si: em 2021, 60 países sofreram um declínio acentuado nos direitos políticos e liberdades civis e apenas 25 melhoraram os indicadores recentemente divulgados pela Organização Freedom House”. Lembrando, desde já, que nesta longa maratona que nos espera, não há primeiros nem segundos; há cidadãs e cidadãos, há deveres e direitos em defesa da Liberdade e da Democracia, o Movimento de Cidadania Contra a Indiferença anuncia que vai empenhar-se, ainda mais, no aprofundamento da intervenção em todo o território do concelho, nas escolas secundárias, junto dos movimentos associativos e instituições que podem ajudar a fortalecer a arquitetura do regime democrático, desde logo a Universidade do Minho, enquanto pilar do conhecimento e a Câmara Municipal de Braga, enquanto órgão da gestão do território e dos interesses dos seus habitantes. Só, assim, defenderemos o legado dos democratas que à direita e à esquerda construíram as bases da Democracia. Precisamos, com urgência, de nos reconciliarmos com o papel de Braga e dos seus cidadãos na construção do 25 de Abril e na sua consolidação para prepararmos com a dignidade, que nos merece, as comemorações dos 50 anos. Este empenho só será possível se nos despojarmos de protagonismos e tacticismo que divide, não une, perturba a objetividade e penaliza a disponibilidade. Uma nota final, naturalmente, para o povo ucraniano. Hoje, como sempre, sou ucraniano!
Autor: Paulo Sousa