twitter

Rússia actual: os cidadãos são realmente livres?

Já, por várias vezes, assinalámos neste local, um facto que parece evidente: Putin não supôs que a invasão da Ucrânia, iniciada há vários anos, transformaria a “Operação Militar Especial”, numa autêntica guerra longa, cujo fim não se vê por agora quando terminará. Certamente, ocuparam os seus exércitos uma pequena parte do país invadido. Contudo, não parece que essa realidade coincida com o que constituíam os objectivos iniciais da sua iniciativa bélica. 


 

E é de supor, também, que não fizesse uma ideia objectiva dos custos humanos que iria provocar. Falamos das várias centenas de milhares de militares russos e ucranianos que já perderam a vida em combate, de outros – e sempre numerosos – que ficaram feridos, com maior ou menor gravidade, e dos cidadãos do país invadido que pereceram ou sofreram os ataques com drones e outros instrumentos ofensivos utilizados. Decerto que as respostas efectuadas com meios semelhantes pelo exército ucraniano em território russo deverão ter causado danos parecidos,


 

Uma “Operação Militar Especial” transformou-se numa guerra destrutiva e prolongada. Todos desejamos o seu fim, mas não parece que Putin queira terminá-la sem sair dum modo claro e inequívoco como vencedor absoluto. O regime de governo que dirige é imperativo. Aliás, o seu passado como membro da KJB comunista, dificilmente o pode conduzir a um regime político que tenha um grande apreço pela natural condição livre dos cidadãos.


 

Na antiga Rússia soviética, que Putin apoiou, o Partido fechava ferreamente o pensamento das pessoas, que, quer quisessem quer não, deviam encarar a realidade como lhe era apresentada de forma obrigatória pelos governantes que detinham o poder, sempre férreo e único.


 

Putin é assim que parece proceder e agir. Contudo, não o pode fazer como representante dum partido que se manifestava como o verdadeiro representante de todas as ambições do povo que dirigia. Era assim que se apresentava o Partido Comunista desde os tempos longínquos de Lenine até à abertura que se operou com Gorbachev. O seu regime é o de um político que se impõe, porque conseguiu colocar-se à frente do poder do seu país e tornar-se um governante indiscutível.


 

Quanto tempo vai durar esta consabida forma de governar na Rússia actual? Certamente que o povo deste enorme país tem muito pouca experiência do que é e como funciona uma verdadeira democracia. Putin é uma manifestação clara dessa realidade, porque foi formado na KJB e uma polícia política tão dura dificilmente se incomodará por gerir ditatorialmente um povo. Aliás, a sua tendência – digamos “óbvia” – será a de mandar sem necessitar de consultar com franqueza e voluntariamente o povo que governa.


 

E é com muita pena que assistimos ao presente de um país tão grande – o maior em superfície entre todos –, que viveu durante o período comunista em ditadura, continuar, depois de se libertar desse regime, a viver agora num sistema semelhante, dominado por uma pessoa que tudo parece querer subordinar.

P. Rui Rosas

P. Rui Rosas

15 outubro 2026