Os bracarenses enfrentam enormes dificuldades neste final do ano de 2026. Os combustíveis estão em valores que há poucos meses julgaríamos inimagináveis, os custos da alimentação dispararam, os preços da habitação sobem a dois dígitos e as taxas de juro do crédito à habitação apresentam uma trajetória ascendente que penaliza os orçamentos familiares. Mais grave, não é previsível que nenhum destes fenómenos que aumentam de forma muito agressiva o custo de vida suportado pelos bracarenses possa ser revertido no curto prazo.
Tudo isto acontece num município com fragilidades evidentes. Apesar da propaganda oficial, os bracarenses sabem que estamos muito longe de ter uma rede de transportes públicos que possa constituir uma verdadeira solução. A esmagadora maioria dos bracarenses não pode sequer equacionar a utilização de outro meio de transporte que não o automóvel porque a alternativa nem sequer existe ou, quando existe, não apresenta as características de regularidade e pontualidade que permitam organizar a vida pessoal, familiar e profissional a contar com ele. Por outro lado, Braga continua com uma enorme carência de oferta de habitação, o que pressiona os preços, não tendo até ver o novo PDM, ao contrário do prometido, levado a um aumento da nova construção. Sem transportes públicos adequados e sem mais casas, é o orçamento pessoal ou familiar dos bracarenses que paga.
Perante esta situação, está na hora de o Município assumir as suas responsabilidades. Não com propaganda, nem com opinião sincronizada e alinhada com o poder, mas com medidas adequadas a dar um sinal aos bracarenses que não estão sozinhos perante as dificuldades. De forma estrutural, com uma aposta decisiva numa visão de cidade que aposte estrategicamente numa mobilidade que aposte no transporte público de qualidade e numa visão de futuro que atraia investimento para a construção de mais casas. No curto prazo, dando um sinal claro de que a Câmara Municipal não é insensível às dificuldades que os bracarenses enfrentam, aliviando os impostos que são diretamente dependentes de decisão do Município. É aqui que entra a proposta da Iniciativa Liberal de baixar a taxa de IMI para o mínimo legal já em 2027. Não faz sentido que a Câmara Municipal, perante a dificuldade, não faça ela própria um pequeno esforço no sentido de aliviar o orçamento das famílias.
Mas, perguntarão alguns, não se trata de uma perda de receita incomportável para o Município? De todo. Estamos a falar de prescindir de uma receita anual correspondente a pouco mais de um milhão de euros. É o preço de alguns apartamentos que estão já hoje a ser comercializados em Braga. O Município pode e deve fazer esse pequeno esforço. Mas, perguntarão outros, isso é suficiente para resolver o problema do custo de vida suportado pelas famílias. Obviamente que não. Mas é uma pequena ajuda. Aliás, se a pequena descida de IMI aprovada para o ano de 2026 apresentada pela coligação Juntos por Braga como uma medida de enorme alcance, a descida que agora propomos, mais ambiciosa, não pode deixar de ser vista como uma ajuda justa, de maior dimensão, mas mesmo assim ao alcance do Município.
Resumindo: a Câmara Municipal não pode manter-se insensível às dificuldades enfrentadas pelos bracarenses. Descer o IMI para a taxa mínima legal é uma pequena ajuda que o Município pode e deve fazer. Descer o IMI para a taxa mínima legal já em 2027 é mesmo o mínimo que a Câmara pode fazer.Rui R