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Tristes políticos!

A democracia supostamente luminosa, esclarecida e livre, buscou, utopicamente nos primórdios, a justiça social e a igualdade para todos, vai trilhando, agora calmamente, por caminhos ínvios e enlameados. Em vez de se olhar o regime de frente e ir em frente, com coragem, com sensatez e com discernimento, os principais actores agarram-se às mazelas democráticas – crispação, intolerância, demagogia, irresponsabilidade, eleitoralismo – para a dilacerarem e, até, a putrefazerem. E deste registo não saem, porque rejeitam perceber a realidade destes tempos. Tempos de muita confusão. O país, contudo, deveria estar sempre, mas sempre, em primeiro lugar. 


 

1 - Os homenzinhos da política de hoje, depois de esburacarem o país até ao tutano, carregam a democracia ainda com mais sacos de pedras que dificultam a suave caminhada para a saída da confusão instalada. A desejada qualidade de vida dos portugueses, uma crua e distante miragem social, não entra na equação da oposição que pugna até à exaustão para esfregar as mãos de vencedores dos desastres. As propostas que apresentam são de uma grande irresponsabilidade. Quanto mais atritos houver, melhor se movimenta a mediocridade. Como nota dominante do cenário actual, é triste ver o meu país neste lamento colectivo. Toda a gente tem razões de queixa. E mais houvesse que os indignados estariam sempre na primeira linha. E de mãos erguidas e com preces já cansadas se dirigem a São Bento a pedir ajuda que nunca satisfaz.


 

2 - Bastou um “simples aumento” dos combustíveis para toldar a vida dos lusos. E também da política caseira. É logo um “trinta e um do caraças” que põe toda a gente a berrar, exigindo ao governo o incremento de todos os disparates fiscais para comprometer a receita do Estado, pensando assim que se resolveria o problema. Isto não vai com medidas paliativas. Nem com “10 euritos”. Isto vai com inteligência, rigor e muita determinação. Com investimentos e lucidez. Com calma e paciência. Os portugueses têm de se convencer também que há vida no amanhã. 

A oposição, com o acompanhamento de outras instituições que se alimentam do desconforto social, ousam acusar o governo do pior, como se o governo nacional fosse o responsável pelos problemas gerados pela carestia do preço do petróleo. Até o Presidente da República, que deveria ter uma intervenção pedagógica e muitíssimo ponderada, se associa ao brado. Estes berros significam linearmente as fraquezas de um regime que se habituou a amparar os seus dependentes com umas “esmolas”, quando as coisas correm um pouco trôpegas. Numa sociedade tradicionalmente carente e fragilizada qualquer aumento dos produtos consumidos no seu dia-a-dia é um tornado que entra e destrói ainda mais as bolsas já sem cheta. 


 

3 - O mundo está mesmo uma lástima. Na economia, no social e na Paz. A verdade é que os petroleiros jogam forte a sua cartada. Sem contemplações pelos outros e sem resistências dos outros. O petróleo mexe com todas as actividades económicas. “Eles” sabem disso. 

Os avanços tecnológicos no que respeita ao desenvolvimento das energias limpas – solar, eólica, hídrica e outras – parece não colaborar grandemente na subtracção da carência energética sentida no país. Apesar da evolução e da expansão das energias renováveis, o mundo está demasiado dependente da energia fóssil. Só, quando chega a tempestade, nos lembramos de Santa Bárbara. Hoje, lamenta-se o desmantelamento apressado da refinaria de Matosinhos e das centrais termo-eléctricas da Tapada do Outeiro e do Pego. Os neo-socialistas são assim! Entram facilmente no campo da demagogia e depois, andam às aranhas à procura de argumentos para justificar os seus desaires. Tristes políticos, estes!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

6 outubro 2026