Tem vindo a crescer a sensação de que é mais barato comprar do que trabalhar (nos campos, nas fábricas, nas pescas), pois aquelas registam um preço menos custoso do que os gastos nos produtos a semear, a cuidar e até na hora de recolher… Campos a monturo, abandono de espaços outrora rentáveis, vinhas desprezadas, fábricas falidas…pois no supermercado é mais barato, mesmo que sob queixumes do (dito) custo de vida.
1. Embora vivamos numa região onde se praticava (ou se vivia) uma ‘agricultura de subsistência’, acumulando com o ordenado do trabalho regular, agora constatamos que boa parte da população sacudiu tal garantia de proventos, menosprezando os frutos da terra e o consequente complemento familiar. Capciosamente entrou na mentalidade geral que saber o que se come – porque trabalhado pelo consumidor – é mais caro do que aquilo que se compra nas lojas de artigos provenientes da Europa ou mesmo da América Latina. Estamos já formatados para vivermos dependentes da quantidade e não da qualidade, mesmo que desconhecida e talvez mais cara…
2. Quem conhecer a história de outros regimes coletivistas – sem esquecer a experiência do tal ‘bloco de leste’, sob a alçada da URSS com seus satélites – certamente se prevenirá sobre as consequências que podem advir da coletivização dos meios de produção com que a União Europeia nos está – inconscientemente – a manipular. Os planos gizados pela nomenclatura soviética deixaram os ‘países da cortina de ferro’ na miséria quando ruiu de podre o regime comunista em finais da década de oitenta do século passado, com a queda do ‘muro de Berlim’, em 1989. A pretensa pujança desses tempos (ditatoriais) fascinou adeptos nalgumas latitudes e nem nós, míseros lusitanos, escapamos ao risco de embarcarmos na ilusão do coletivismo marxista.
3. Mesmo que outros a contragosto tenham de ser confrontados, a União Europeia – alicerçada, nos tempos mais recente, mais em conceitos materialistas de teor liberal e neocapitalista – corre, bem mais depressa que os marxistas em defuntês prolongada, idênticos riscos e piores resultados. Para uma parte dos europeus – com os portugueses em grande destaque – a UE não passa de um mercado comum e não é vista como uma construção para além das vertentes económicas, financeiras ou de teor de recolha de direitos e pouco de participação de deveres: habituamo-nos a socorrer-nos do dinheiro que vem e não em sermos partícipes de uma União Europeia das nações muito para além das benesses/reivindicações auferidas…Veja-se a paleta de grupos e partidos anti-Europa, que pululam no Parlamento europeu e até nas estruturas de decisão de todos e que devia ser para todos.
4. Atendendo às circunstâncias atuais poderá ser útil e muito necessário que nos questionemos sobre o futuro da União Europeia quase alicerçada numa certa conceção de preguiça, onde muitos reclamam, mas não contribuem, outros tantos se comportam como sanguessugas e boa parte se encobre sob o manto do lacrau, isto é, beneficia e depois aferroa. Até onde irá este panorama de oportunistas em pele de democratas? Se ainda formos a tempo seria bom que os mais novos aprendam a arrotear a terra ou sucumbirão de fome depois de abundância e de tanto desperdício…
5. Atendendo mais ao futuro do que ao passado e até tentando interpretar corretamente o presente, urge que (sobretudo) os mais novos, que usufruem das regalias da UE sem nada terem feito para isso, avaliem continuamente os benefícios que têm e nunca por nunca creiam que tudo será irreversível (nos benefícios e/ou nas agruras): feita sem eles nada será sem a sua ativa participação. Não esqueçam: se outros que foram fortes caíram, quem obstaculizará a queda da União Europeia? Depois de 40 anos a usufruir de ajudas, é tempo de cuidar para a qualidade de vida de tantos outros (povos, nações e cidadãos ou não passaremos de beneficiados egoístas…