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Haja pudor

Num dia atrasado, ouvi e vi numa das televisões a intervenção de dois comentadores políticos que muito de enjoaram. A primeira intervenção foi a de Mário Centeno, ex-ministro e ex-governador do banco de Portugal. Que obras deixou dos seus desempenhos, dignos de nota? Donde lhe vem o direito de criticar? Foi zero, nada, nicles. A segunda intervenção, minutos de pois, foi a do Costa e Silva que catedraticamente censurava o atual ministro da economia deste país. Que obra deixou Costa e Silva que lhe autorize moralmente a ser juiz? Que se saiba deixou zero da sua passagem. Os dois, agora governantes de sofá, fariam milagres, abririam portas do sucesso e, acima de tudo, fariam milagres. Mas por que razão só agora e não enquanto governaram? Infelizmente não são apenas estes dois senhores que se portam com esta falta de nobreza elegante; outros, de outros partidos, também o fizeram, deixando em nós a impressão que falam ressabiados por já não serem o que foram. As frustrações não se podem curar à custa de terceiros. Curam-se emendando percursos e ganhando o caminho certo. Mas há liberdade para criticar ou não? Claro que há tanta liberdade quanto o grau de educação que usamos. Saber ser digno é saber ser substituído. Mas não é o que verifiquei naqueles dois senhores que, com falas mansas, deixavam pingar uma intenção de derrubar e não de construir. Deixem o julgamento para nós, eleitores, porque quando a hora chegar de avaliar, certamente quem mal governa deixará de ter governo. Se querem melhor, e ainda bem que os anima esse propósito, não derrubem, não empurrem para a queda, ajudem a fazer o melhor porque o melhor é para os portugueses. Sejam construtivos com o vosso saber e vossa experiência. Percam da ideia a renovação do sonho de voltar, porque o importante da consciência individual reside no que fizeram de bem para a coletividade.

Paulo Fafe

Paulo Fafe

6 outubro 2026