Se há momentos na vida das comunidades cristãs que ficam gravados na memória, a chegada de um novo pároco é seguramente um deles. Não se trata apenas da substituição de uma pessoa por outra, nem de uma simples mudança de funções. É o início de uma nova etapa da história que, embora conheça rostos diferentes, permanece a mesma: a de uma comunidade reunida pela fé, alimentada pela Palavra, fortalecida pela Eucaristia e enviada em missão.
A apresentação de um novo pároco é, antes de tudo, um momento de acolhimento e assinala o início do ministério. Aquele que se apresenta não vem simplesmente ocupar um lugar, mas encontrar uma comunidade concreta, com um rosto e uma história, com as suas alegrias e feridas, os seus sonhos e dificuldades, as suas tradições e caminhos já percorridos. E convém lembrar que uma comunidade não é apenas um território ou um conjunto de pessoas, mas uma família espiritual, com uma memória que merece ser conhecida e uma esperança que se impõe continuar a ser construída.
Também o novo pároco chega trazendo consigo uma história. Traz a experiência das comunidades por onde passou, as pessoas que conheceu, as alegrias e desafios do seu ministério, as marcas daqueles a quem serviu. E chega como alguém que, sobretudo, é chamado a servir. O ministério pastoral não se traduz numa posse sobre a comunidade, mas na disposição de a acolher, de a conhecer, de caminhar com ela e de a ajudar a descobrir, em cada tempo, a presença viva do Senhor. Parece-me, por isso, desajustada a tradicional expressão “tomada de posse” e mais feliz a de “apresentação à comunidade” ou “início do ministério pastoral”.
O Evangelho apresenta-nos Jesus como aquele que conhece as suas ovelhas e é conhecido por elas. Trata-se de uma imagem particularmente bela e fecunda, que ajuda a compreender o ministério do pároco, in persona Christi. Antes de falar, deve o novo pároco escutar; antes de conduzir, impõe-se que caminhe com; antes de propor caminhos, deve conhecer os caminhos já percorridos. O sacerdote não recebe uma comunidade pronta e acabada, mas pessoas concretas, com nomes, rostos e histórias, e é chamado a fazer com elas um caminho orientado pela bússola do Evangelho.
Por isso, os primeiros tempos de um novo pároco são de encontro: há portas a ser abertas, casas a ser visitadas, pessoas a ser escutadas, grupos a ser conhecidos e perguntas que precisam de ser acolhidas. O pároco começa por aprender o nome das pessoas, mas, pouco a pouco, há de conhecer também os seus anseios e esperanças.
A comunidade, por sua vez, também é chamada a acolher. E isso não significa esperar que aquele que chega seja a fotocópia ou a continuidade de quem partiu. Cada padre tem o seu modo de ser, de celebrar, de anunciar, de escutar e de servir. A diversidade dos dons não pode ser motivo de estranheza, mas oportunidade para reconhecer que é Jesus Cristo quem permanece no centro da vida da Igreja.
Uma mudança de pároco pode, assim, tornar-se uma ocasião para recolocar a pergunta essencial: que comunidade queremos ser? Fechada sobre as suas tradições ou capaz de guardar a memória e, ao mesmo tempo, abrir caminhos novos? À espera do pároco para tudo ou onde cada batizado reconhece que tem uma missão? Preocupada apenas em conservar o que recebeu ou capaz de transmitir a fé às novas gerações?
O novo pároco não chega para trabalhar sozinho, mas para caminhar com todos. O seu ministério só poderá dar fruto quando encontrar crianças e jovens com lugar na comunidade, famílias acompanhadas, idosos escutados, pobres acolhidos e grupos pastorais animados. Depois disso, é necessário ir ao encontro de todos os que, por diferentes razões, se encontram mais distantes da vida da Igreja.
A apresentação à comunidade e o acolhimento acontecem não apenas num momento solene e efémero, mas ao longo do tempo. Acontecem cada vez que o pároco celebra a Eucaristia com o seu povo, visita um doente, acompanha uma família em dificuldade, prepara para os sacramentos, escuta alguém que procura uma palavra de esperança anuncia o Evangelho e reza pelo povo que lhe foi confiado. E acontece também cada vez que a comunidade se reconhece responsável pelo caminho comum.
Quando chega um novo pároco, não começa uma história inteiramente nova, antes continua a história que Deus já começou e, por isso, o novo pároco inscreve o seu nome numa história que o precede e que continuará depois dele. Uns semearam, outros hão de colher. A ele cabe, no presente, cuidar do campo que lhe é confiado, com humildade, dedicação, paciência e esperança.
Mais do que uma cerimónia, a apresentação de um novo pároco à comunidade é um verdadeiro encontro, o momento de ele sentir que chega a uma casa onde há lugar para si; e de a comunidade descobrir nele não apenas aquele que preside à sua vida pastoral, mas um irmão, um pastor e um companheiro de caminho. Porque, na Igreja, ninguém chega para ocupar um lugar ou tomar posse de alguma coisa, mas para estar ao serviço da missão que lhe é confiada. E essa missão tem destinatários concretos, mas não tem outro centro senão a pessoa de Jesus Cristo.