Em janeiro e decorridos apenas três meses após a eleição, o presidente do Município de Braga, João Rodrigues suspendeu de forma unilateral o Metro Bus, seu principal compromisso eleitoral, que se propunha ser revolucionário em termos de transporte público no concelho.
Esta decisão autocrática não contou com o parecer e apoio de quem durante anos acompanhou este processo e muito menos da vereação e Assembleia Municipal recentemente eleitas e da Administração dos Transportes Urbanos de Braga, empresa a quem tinha sido cometida a condução e coordenação do projeto do Metro Bus.
Este projeto nasceu e ganhou forma nos mandatos de Ricardo Rio e contou com a aprovação generalizada da oposição, quer na Câmara, quer na Assembleia Municipal. As várias etapas do projeto contaram com o apoio e contributos da oposição, que compreendeu as razões que levaram a Administração dos TUB e da equipa técnica que a assessorava, na eliminação das Linhas Verde e Azul, dada a complexidade e concretização do “sonho”. O PDM referenciava o Metro Bus como um “sistema de mobilidade que iria estruturar o transporte público no concelho”, daí a sua importância para o futuro do transporte público e da sustentabilidade ambiental.
A partir de 2024, assistimos a atrasos significativos nos estudos prévios e um atraso ainda mais significativo no concurso de concepção e execução do Metro Bus, factos denunciados pelo PS na Assembleia Municipal, o que pressagiava incumprimento na conclusão da obra no prazo previsto. Dificuldades externas à vontade dos TUB, vieram da IP - Infraestruturas de Portugal, que negou a passagem do Metro Bus na Av. António Macedo e desta para a Av. General Norton de Matos, inviabilizando assim a Linha Amarela, que tinha início no “Minho Center” e terminava na Estação Ferroviária e também da Universidade do Minho, que recusou a passagem da Linha Vermelha pelo interior do “Campus de Gualtar”, obrigando à alteração do percurso na ligação ao Hospital.
Reduzido o Metro Bus à Linha Vermelha e com a verba de 76 milhões de euros do Programa de Recuperação e Resiliência, o arrastar do processo era notório, facto sistematicamente denunciado pelo Partido Socialista, percepcionando-se ainda que os responsáveis pela governação do Município queriam descartar este compromisso. Durante a campanha eleitoral, o então vereador do Planeamento e Mobilidade e candidato à Câmara pela Coligação Juntos por Braga, João Rodrigues, deu novo fôlego ao projeto e fez dele o seu maior compromisso eleitoral. Importa recordar que a proposta de mobilidade do PS passava pela construção de um Metro Ligeiro de Superfície, como solução alternativa ao Metro Bus, porque mais viável, abrangente e estruturante, como aposta decisiva no transporte público e na sua necessária capilaridade com outros sistemas de transporte e em todo o território do concelho. Esta solução mereceu de João Rodrigues forte oposição, reafirmando que o Metro Bus seria uma realidade em meados de 2026, com ele como presidente do Município.
A suspensão do Metro Bus de Braga concretiza um falhanço monumental do já presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, agravado pelo facto de ter assumido compromissos financeiros relativamente a esta obra. A fatura deste devaneio político e os seus impactos financeiros serão conhecidos no mês de setembro. João Rodrigues falhou no compromisso e como muitos arranjou uma desculpa, que passava pela aposta reforçada na construção da variante do Cávado e na da ligação à variante do Fojo pela serra do Carvalho.
Conclui-se que João Rodrigues trocou o certo, que era o Metro Bus, pelo incerto, que são as circulares externas, como se tal fosse possível, já que os 76 milhões do Metro Bus, nunca poderiam ser usados na construção das variantes. Se assim não for, que sejam apresentadas provas documentais ou então que o próximo Orçamento de Estado inscreva tais obras, para bem dos bracarenses, que é aquilo que move o Partido Socialista.
No final da semana da Mobilidade, confrontam-se os bracarenses com um concelho abandonado à sua sorte desde 2013, onde se perdeu um Metro Bus que iria estruturar o transporte público no concelho e onde as circulares externas a Braga são uma miragem, bem como com a mais que injustificada ausência de novas vias, que deveriam ter acompanhado o crescimento da cidade e do concelho.