Os dias em Braga correm a um ritmo lento, no que ao futebol diz respeito. O desempenho do SC Braga não tem correspondido às expectativas criadas e os jogos, em ocasiões a mais, provocam sonolência e até indiferença nos adeptos, o que deve preocupar os responsáveis bracarenses.
A nível internacional, é esperado que os Gverreiros do Minho possam fazer uma boa campanha, na senda do que vem sendo hábito para os lados da Pedreira. Existem boas condições para realizar uma boa prova, o que não significa vencer. Longe disso, digo eu.
Internamente, o SC Braga tem estado numa zona em que existe uma diferença em relação aos clubes que o precedem, assim como existe em relação aos clubes que se autoproclamaram grandes. A época passada deu sinais de recuo na posição bracarense, uma vez que o Famalicão deu mais luta pela conquista do quarto lugar do que se esperava e até o Gil Vicente chegou a ameaçar. No fim das contas, foram três os pontos que separaram os bracarenses dos famalicenses, num aperto raramente visto nos últimos anos. A diferença pontual para o último lugar do pódio foi de vinte e um pontos, ao passo que para o campeão foi de uns inenarráveis vinte e nove pontos, havendo um claro retrocesso no caminho antes percorrido.
A época atual prometia uma evolução mais acelerada no processo de Carlos Vicens, por se tratar do segundo ano, apesar de existir uma dezena de novos elementos a integrar no plantel. O grupo ao dispor do treinador espanhol oferece agora mais e diferentes soluções, em comparação com a temporada anterior. Assim, com todo este contexto, a evolução era expectável a um ritmo mais célere do que aquele que tem acontecido.
A época anterior resultou na perda prematura de muitos pontos, o que influenciou negativamente o percurso efetuado na Liga Portugal, algo que o SC Braga parece querer repetir, a ver pela perda de sete pontos já desperdiçados nos quatro jogos realizados fora de portas.
Se os pontos perdidos geram preocupação no seio braguista, existe uma crescente inquietação devido ao futebol pouco atrativo e nada acutilante que a equipa pratica. São vários os exemplos em que a sonolência geral é a regra, sendo apenas contrariada quando algum golo salvador chega no meio das dificuldades imensas que se observam.
O triunfo frente ao Estoril surgiu num mar imenso de dificuldades, em resposta à derrota inusitada que acontecera antes frente ao Estrela da Amadora. Poderia ser o detonador de que era preciso o aparecimento daquele golo tardio frente aos estorilistas. Puro engano, porque a visita aos Açores redundou num nulo no marcador e acentuou ainda mais a distância da equipa de Carlos Vicens em relação à baliza adversária.
O relvado açoriano está em más condições, mas isso não pode servir de desculpa para o SC Braga surgir em campo disposto a realizar mais um encontro sonolento e sem chama. Os bracarenses criam pouco ofensivamente e a desejada aproximação aos lugares do pódio, ou a luta por eles, passa a ser uma utopia se este estado de coisas se mantiver.
Há agora um espaço temporal proporcionado pela pausa prolongada das seleções. Veremos se a reentrada em competição, daqui a algum tempo, traz algo de novo e se o SC Braga consegue cativar os seus adeptos, que, por esta altura, estão descrentes de todo o marasmo que observam.
A indiferença atual vai ter um preço elevado, se nada mudar efetivamente na performance bracarense.