Há dias em que a política mostra o melhor de si. E há outros em que nos lembra aquilo que não queremos que ela seja.
O debate em torno da moção de censura apresentada pelo Chega na Assembleia da República foi, infelizmente, um desses momentos. O que deveria ser um debate sério acabou, em alguns momentos, reduzido a gritos, palavras de ordem e confronto. Não é esse o caminho que devemos querer para as nossas instituições.
Uma moção de censura é um instrumento legítimo da democracia. A oposição tem todo o direito de o utilizar quando entende que o Governo deve ser censurado. O que não podemos normalizar é que, depois de uma derrota parlamentar, se procure transformar o resultado num novo momento de espetáculo.
A política não pode ser apenas isto.
Portugal precisa de uma oposição exigente, que fiscalize, critique e faça perguntas difíceis. Mas também de uma oposição capaz de apresentar alternativas e explicar aos portugueses o que faria de diferente.
Porque há um Governo que tem de continuar a governar. E este Governo, liderado pelo PSD e pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, tem uma responsabilidade que vai muito além dos debates parlamentares: continuar a melhorar a vida dos portugueses.
Começamos uma nova sessão legislativa num momento exigente. O mundo está a mudar, a segurança da Europa está sob pressão e os conflitos têm consequências também para Portugal.
Apesar deste cenário, a economia portuguesa continua a crescer. No primeiro trimestre de 2026, o PIB cresceu 2,3% em termos homólogos. Os salários continuam a crescer acima da inflação e existem 85 projetos de investimento estrangeiro em análise, representando mais de 22 mil milhões de euros.
São números, mas por trás deles estão empresas que investem, pessoas que encontram emprego e famílias que ganham alguma margem para respirar.
E quando falamos de jovens, esta realidade torna-se ainda mais importante.
O IMT Jovem já permitiu a cerca de 100 mil jovens beneficiar de isenção na compra da primeira habitação. No emprego, a taxa de desemprego jovem fechou 2025 nos 19,8%, o valor mais baixo dos últimos seis anos.
Eu prefiro olhar para as pessoas que estão por trás destes números. Um jovem que conseguiu comprar a primeira casa. Outro que encontrou o primeiro emprego. Porque para quem está a começar a sua vida, pode significar tudo.
Como jovem e deputado da JSD, sei que ainda há muito por fazer. A habitação continua a ser uma das maiores dificuldades da minha geração, o custo de vida pesa nas famílias e persistem desafios na saúde, na educação e na segurança.
Mas reconhecer aquilo que falta não significa fingir que nada está a ser feito.
Desde que este Governo assumiu funções, foram tomadas medidas como o reforço de profissionais no SNS, novas escolas, a recuperação do tempo de serviço dos professores, mais habitação e novas vagas em creches.
É preciso fazer mais. Mas também é preciso reconhecer o que está a ser feito.
Foi para isso que os portugueses deram um mandato a esta maioria: para governar, resolver problemas e apresentar resultados.
Também nas contas públicas é possível conciliar responsabilidade financeira e justiça social. O Governo anunciou um suplemento extraordinário para pensionistas, num valor global de cerca de 400 milhões de euros, e uma redução do IRS até ao sexto escalão, também na ordem dos 400 milhões.
Isto também é governar: garantir que uma economia que cresce se traduz em benefícios concretos para as pessoas, sem hipotecar o futuro.
No fim, é isso que retiro do debate.
Os portugueses não vivem de moções de censura ou de polémicas. Vivem das suas vidas.
Querem saber se conseguem pagar a renda, comprar uma casa, encontrar emprego, colocar os filhos numa creche ou ter acesso a cuidados de saúde quando precisam.
É para essas pessoas que devemos estar na política.
Como deputado da JSD e do PSD, quero uma política que aceite a crítica e o escrutínio, mas que também seja capaz de mostrar resultados. Uma política que dê aos jovens condições para construir o seu futuro.
A política existe para servir as pessoas, não para servir o espetáculo. Portugal não precisa de mais ruído. Precisa de estabilidade, ambição e responsabilidade. Entre o espetáculo e a política, escolho a política.