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Educação e ensino

1. Neste começo de ano escolar insisto na minha: educação e ensino têm de caminhar de mãos dadas.

Sei que nem todos pensam assim, mas a minha convicção é esta. Não concebo um professor que não seja, ao mesmo tempo, um educador. Pelo exemplo e pela palavra.

É evidente que os primeiros e principais educadores são os pais. Essa é uma sua missão indelegável. Mas, sem se substituir à Família e sem se lhe sobrepor, a Escola também possui o dever de educar.

 

2. Pais e professores devem atuar em estreita colaboração. A ida dos encarregados de educação ao delegado de turma não deve acontecer, apenas, para aqueles se inteirarem do aproveitamento escolar do aluno. Muito menos apenas quando esse aproveitamento é negativo. Os encarregados de educação têm o dever de se informar também – atrevo-me a dizer, sobretudo – do seu comportamento.

É missão do professor ensinar. Mas não considero bom professor o que tolera faltas de respeito seja para quem for, indisciplina, quaisquer gestos de violência.


 

3. Li há tempos (peço desculpa, mas não arquivei a data) uma carta aberta de Rosário Meireles Cunha, cuja atualidade se mantém. A certa altura, escrevia:

«Defendo a escola pública, defendo a escola para todos e até defendo a escola gratuita.

Não defendo os milhares de euros que se gastam com aqueles que não respeitam nada nem ninguém, que agridem colegas, funcionários e professores, a quem apenas se pode marcar falta disciplinar e suspender uns dias e que voltam à escola para fazer exatamente o mesmo, faltam às aulas, acabam por estar retidos por excesso de faltas e continuam na escola, a massacrar todos, a boicotar as aulas a que vão apenas para isso mesmo e a usufruir de todos os direitos de um aluno cumpridor.

Mas porque se devem preocupar os encarregados de educação destes alunos? Têm onde os entregar, onde lhes dão de almoçar e a maior parte deles ainda tem direito a subsídios e suplementos alimentares. E, claro que nós todos pagamos.

No entanto, isto mudava facilmente. Todos sabem, mas não dizem nem fazem.

A escola é para todos sim, mas existem regras e obrigações a cumprir. O aluno não cumpre, é avisado assim como os respetivos encarregados de educação. Se as atitudes e comportamentos persistirem e o aluno ultrapassar o limite de faltas e ficar retido (o que muitas vezes acontece ainda no primeiro período), não tem de permanecer no estabelecimento de ensino. Vai para casa onde devem os encarregados de educação fazer o seu papel.

Só assim poderíamos começar a pensar que seria possível uma escola melhor e mais eficaz. Um aluno incumpridor, sem respeito por ninguém, com desprezo pelas normas de uma instituição de educação e que persiste nesta atitude de insolência sem limites, sempre sem nunca serem tomadas medidas sérias, é um mau exemplo para todos os outros. Eu acredito na maçã podre na fruteira».

 

4. Para educar e ensinar o professor tem de dispor das necessárias condições. Tem de ser devidamente remunerado. A referida carta aberta alertava para isso.

O ordenado líquido de um professor em início de carreira (1.º escalão, índice 167) em Portugal ronda os 1.280 € por mês (já com o subsídio de alimentação incluído).

Será apetecível, após a formação específica que recebe e atendendo ao ambiente que, hoje, se vive em muitas escolas?

Alertava também para o desgaste que o exercício da profissão provoca, defendendo a reforma dos professores mais cedo do que o comum dos cidadãos.


 

5. Ser professor deixou de ser uma profissão atrativa. A comprová-lo está a dificuldade em encontrar docentes em número suficiente.

Há que dar ao professor condições que lhe permitam dedicar-se a tempo inteiro ao que é específico da sua missão: ensinar e educar. Restituir-lhe a autoridade de que foi privado.


 

6. A Escola deve ter regras a serem cumpridas por todos. A começar pela indumentária com que as pessoas se apresentam. E se for aconselhável regressar ao uniforme, porque não?

Não cumpre a sua missão o pai que se preocupa exclusivamente com o aproveitamento escolar do filho, tolerando-lhe todas as tropelias desde que apresente boas notas.

Silva Araújo

Silva Araújo

17 setembro 2026