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Desconfiança nefasta

O último artigo publicado pedia a continuação da sessão anterior, numa perspetiva de dar continuidade aos trabalhos que já vinham da época passada. Isto seria muito importante, porque representava uma aceleração de processos e um ganho efetivo de tempo na teoria, que, neste caso, rapidamente se dissocia da prática.

A visita a Alverca para defrontar o Estrela da Amadora, que mudou de casa devido ao mau estado do seu relvado, traduziu-se numa desilusão tremenda para quem acompanhou a equipa e, acredito, também para quem viu o jogo pela televisão. Esse duelo até começou bem, com a vantagem bracarense que nunca foi ampliada, apesar de terem existido ocasiões para isso, mas acabou numa espécie de depressão e resignação perante o que se estava a passar, em especial a partir da meia hora de jogo, ou pouco depois.

A equipa não entendeu as palavras do seu líder, que pedia para que os últimos minutos de prejuízo efetivo de Moreira de Cónegos não se repetissem. Era necessária concentração competitiva nas partes finais, quer antes do intervalo, quer no final de cada jogo.

O empate sofrido no Ribatejo, a um minuto do intervalo, representou uma má saída do relvado, piorando as coisas com uma entrada ainda pior no segundo tempo, quando os tricolores chegaram à vantagem, que não mais perderam. O que mais preocupou toda a gente foi a incapacidade de reação do SC Braga perante a desvantagem no resultado. A resignação final era evidente e ninguém ousava colocar em causa o resultado.

A receção ao Estoril assumia, por isso, contornos de inquietação, em função dos cinco pontos já desperdiçados contra equipas teoricamente inferiores. O contexto antes do encontro alimentava uma desconfiança, entre os adeptos e no seio do próprio grupo, que poderia ser nefasta para a equipa. Parecia faltar algo que injetasse a confiança perdida e permitisse à equipa recuperar aquele conforto de quem entra em campo convencido de que vai vencer.

Outra coisa que preocupa os adeptos mais atentos é a falta de um plano alternativo no processo de Carlos Vicens, capaz de contornar as dificuldades colocadas pela maioria dos adversários internos, que já perceberam como devem baixar as linhas e esperar pelos erros do adversário, que estão a surgir de modo preocupante. Até alguns jogadores que costumam ser referências, pela garantia e fiabilidade que oferecem, têm realizado exibições muito abaixo daquilo que podem e sabem fazer.

O jogo contra os canarinhos, nada amarelos no relvado, revelava ineficácia ofensiva e algum azar na finalização de lances de aparente facilidade na sua conclusão. A isto juntou-se uma postura de bloco baixo, de provocação constante nos pormenores e de procura da profundidade através da velocidade, fatores que conduziram a partida para um cenário de incerteza, que só não foi maior porque Bernardo esteve em bom plano.

O golo redentor chegou na parte final da partida, quando o SC Braga já tinha em campo um modelo alterado, com gente na frente capaz de fazer a diferença, como demonstrou o bonito e muito celebrado golo decisivo de Jonas Wind. Foram mesmo bons ventos dinamarqueses que sopraram sobre o final da partida e libertaram a equipa de uma pressão que já era evidente.

Espero que agora se consiga trilhar o caminho do sucesso já nos Açores, onde é esperado um desafio de elevado grau de dificuldade, e que a confiança volte a reinar nas mentes de todos, quer no relvado, quer nas bancadas.


 

António Costa

António Costa

17 setembro 2026