A maioria das pessoas associa os temas relacionados com a segurança do doente a uma cirurgia, a uma urgência ou a um internamento hospitalar. Mas a verdade é que a segurança em saúde começa muito antes e acompanha-nos ao longo de toda a vida.
É precisamente esta a mensagem do Dia Mundial da Segurança do Doente, assinalado todos os anos a 17 de setembro. Criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), esta iniciativa pretende chamar a atenção para uma realidade muitas vezes invisível: milhares de pessoas são vítimas de danos evitáveis durante os cuidados de saúde, apesar dos enormes avanços da medicina.
Em 2026, o foco está nas doenças não transmissíveis, ou seja, nas doenças crónicas que hoje representam o maior desafio de saúde do século XXI. Falamos das doenças cardiovasculares, da diabetes, do cancro ou das doenças respiratórias crónicas. São doenças que não se "apanham", mas se desenvolvem ao longo do tempo e, muitas vezes, acompanham a pessoa por décadas.
Os números ajudam a perceber a dimensão deste desafio. Atualmente, as doenças crónicas são responsáveis por cerca de 74% das mortes em todo o mundo. Em Portugal, tal como na maioria dos países desenvolvidos, representam a principal causa de doença, incapacidade e mortalidade. À medida que vivemos mais anos, cresce também o número de pessoas que necessitam de acompanhamento regular, tratamentos prolongados e cuidados de saúde continuados.
A verdade é simples: quase todos nós conhecemos alguém que vive com uma doença crónica. Um pai hipertenso, uma avó diabética, um amigo que enfrentou um cancro ou um familiar com doença pulmonar. E, à medida que aumenta a esperança de vida, aumenta também o número de pessoas que precisam de cuidados de saúde.
Uma pessoa com doença crónica passa por consultas, exames, tratamentos, medicamentos e diferentes profissionais de saúde. Cada etapa é uma oportunidade para ajudar, mas também um momento em que podem surgir falhas: um diagnóstico tardio, uma informação mal compreendida, uma medicação duplicada ou uma falta de comunicação entre serviços. Por isso, o lema escolhido pela OMS para este ano não podia ser mais pertinente: "Cuidados seguros para a vida!"
A segurança do doente não depende apenas dos profissionais ou das instituições. Todos têm um papel a desempenhar. Fazer perguntas quando existem dúvidas, conhecer a medicação que se toma, partilhar informação relevante com os profissionais de saúde e participar nas decisões sobre o próprio tratamento são atitudes que aumentam a segurança e melhoram os resultados em saúde.
Numa sociedade cada vez mais envelhecida e marcada pelas doenças crónicas, a segurança do doente deixa de ser apenas uma preocupação dos órgãos decisores, dos profissionais de saúde, dos hospitais ou centros de saúde, tornando-se uma responsabilidade coletiva.
O maior desafio já não é apenas tratar a doença; é garantir que cada pessoa recebe, ao longo de toda a vida, os cuidados certos, no momento certo e da forma mais segura possível, porque, em algum momento da vida, todos somos doentes e todos merecemos cuidados seguros.
A segurança do doente salva vidas, hoje e todos os dias. Porque todos somos, em algum momento da vida, doentes e todos merecemos cuidados seguros.