O artigo de opinião de hoje é uma espécie de continuação da sessão anterior. Entenda-se por sessão o texto escrito na semana passada, que representou um regresso feliz a este espaço.
A época desportiva já vai longa, com nove encontros realizados e o décimo a acontecer precisamente no dia em que este artigo é publicado. Como diz Carlos Vicens: “el calendario es lo que es”.
As coisas não são nada fáceis por estes dias, porque todas as equipas já trabalham com qualidade, pelo que os duelos apresentam, muitas vezes, dificuldades teoricamente inesperadas. No futebol, a teoria e a prática nem sempre convivem pacificamente, sendo este um dos fatores que tornam apaixonante este desporto.
O SC Braga teve um primeiro terço complicado na Liga Portugal da temporada anterior. A lição parece ter sido aprendida, o que pode trazer benefícios a médio e longo prazo, em termos pontuais. As coisas nem começaram bem internamente, porque os bracarenses viram fugir, cruelmente, dois pontos em Moreira de Cónegos, com interferência tripla da arbitragem nesse lance. O treinador Carlos Vicens disse que aquilo foi uma aprendizagem e que não se deve repetir futuramente. Claro que isto nunca será uma certeza, mas os alertas para as partes finais dos jogos têm de ser permanentes.
Após o triunfo sobre o vizinho e rival Vitória SC, no dérbi mais diferenciado que o país conhece, o SC Braga teve (quase) uma semana para preparar a deslocação ao Ribatejo, para defrontar um Alverca que procura consolidar-se na divisão principal do futebol português e que, já na atual temporada, vendeu a preço elevado as derrotas frente a FC Porto e Sporting CP, o que colocava de sobreaviso a turma bracarense. Os trabalhos semanais, desta vez sem competição a meio, trouxeram boas notícias a Carlos Vicens, uma vez que alguns elementos que estiveram afastados temporariamente regressaram de modo efetivo ao trabalho diário, passando a ser opções. A notícia má foi mesmo o afastamento de Gabriel Silva das opções, situação que se deverá manter mais algumas semanas, a não ser que o problema seja mais ligeiro do que se pensava.
A partida do Ribatejo foi quase sempre controlada pelo SC Braga, ainda que, ao intervalo, a vantagem do Alverca, surgida na sequência de um penálti cometido de modo inexperiente por Diego, soasse a falso. O futebol também é assim, tantas vezes efémero, e Diego experimentava, em poucos dias, as sensações de herói, ao decidir o dérbi do Minho, e de vilão, ao conceder a grande penalidade aos ribatejanos. Contudo, os indicadores eram bons, ainda que a finalização estivesse ausente, fator tantas vezes penalizador para o trabalho das equipas no relvado. A segunda parte trouxe os golos da remontada e ofereceu uma viagem de regresso feliz aos adeptos que se deslocaram para ver o duelo. Diego Rodrigues deve ter sentido um alívio especial quando os dois golos de Pau Víctor levaram o triunfo justo para Braga.
A vida para os lados da Pedreira mantém-se intensa e hoje surge o acerto de um dos encontros em atraso, com a visita ao Estrela da Amadora, num jogo que será disputado em palco diferente daquele que inicialmente estava previsto devido às condições do relvado, visando a proteção dos atletas e a qualidade do espetáculo. Faço votos para que os bons ares se continuem a respirar em Braga e que a pontuação vá subindo, vitória após vitória, como é uma necessidade consciente do grupo de trabalho.