Braga precisa de obras. Precisa de ruas requalificadas, melhores pavimentos, passeios mais seguros e infraestruturas modernizadas. Muitas das intervenções que a Câmara Municipal está a realizar são necessárias e há muito aguardadas.
O problema não está, por isso, em fazer obras. Está em não saber planear quando e como fazê-las.
O início do ano escolar é, todos os anos, um período de enorme pressão sobre a mobilidade de Braga. Regressam milhares de alunos às escolas, os pais retomam as deslocações diárias e a cidade volta a receber níveis elevados de tráfego.
Era previsível.
Por isso, é difícil compreender que este período coincida com várias intervenções simultâneas na rede viária, condicionando ruas, criando desvios e sobrecarregando outras artérias que já apresentam problemas de congestionamento.
Uma obra pode ser necessária. Duas obras próximas podem ser inevitáveis. Mas quando várias intervenções condicionam simultaneamente os principais percursos da cidade, é legítimo questionar o planeamento municipal.
O cidadão não vive cada obra isoladamente. Vive os efeitos de todas elas.
Quando uma rua fecha, o trânsito procura uma alternativa. Se essa alternativa também está condicionada, o congestionamento aumenta. E quem sofre é o cidadão: o trabalhador que chega atrasado, o pai ou a mãe que se atrasa para deixar o filho na escola, ou simplesmente quem perde mais tempo diariamente no trânsito.
Governar uma cidade também é gerir o tempo dos seus cidadãos.
Defendemos que Braga tenha um Plano Municipal de Coordenação das Obras na Via Pública, com um calendário anual, público e atualizado de todas as intervenções previstas. Antes de iniciar uma empreitada, a Câmara deve avaliar o conjunto das obras em curso e programadas, evitando que sejam simultaneamente condicionadas vias que funcionam como alternativas umas às outras.
Defendemos também que os períodos de maior pressão, como o início do ano letivo, sejam considerados na calendarização das intervenções mais impactantes. Sempre que tecnicamente possível, grandes obras devem ser antecipadas ou faseadas, garantindo que não se concentram vários constrangimentos no mesmo período.
É igualmente necessária uma articulação efetiva com os TUB, escolas, PSP, GNR, Proteção Civil e entidades que intervêm nas redes de água, energia e telecomunicações. Não faz sentido abrir e fechar repetidamente a mesma rua porque diferentes entidades não coordenaram previamente os seus trabalhos.
Propomos ainda um mapa municipal online das obras e condicionamentos, permitindo aos cidadãos conhecer antecipadamente onde existem constrangimentos, qual a duração prevista e quais as alternativas disponíveis.
E, para as intervenções de maior dimensão, a Câmara deve realizar uma avaliação prévia do impacto na circulação, identificando os fluxos de trânsito que serão desviados e garantindo que as vias alternativas têm capacidade para os receber.
São medidas simples, mas fundamentais.
Porque planeamento não é burocracia: é evitar problemas antes que eles aconteçam.
É esta mudança de abordagem que defendemos para Braga: uma Câmara que não se limita a gerir cada obra individualmente, mas que coordena todas as intervenções como partes de uma mesma cidade.
Não somos contra as obras. Somos contra a falta de planeamento que transforma obras necessárias em problemas desnecessários.
Uma Câmara Municipal que pensa na qualidade de vida dos seus munícipes tem de olhar para a cidade como um todo. Tem de saber onde intervir, mas também quando intervir.
Os bracarenses não querem uma cidade parada. Querem conseguir levar os filhos à escola, chegar ao emprego e regressar a casa num tempo razoável.
Querem obras, sim.
Mas querem também planeamento.
Porque fazer obras é governar.
Saber quando e como fazê-las também.