O Jornal de Notícias do dia 25 de Agosto de 2026 deu largo destaque, em primeira página e com fotografias, a quatro estudantes que entraram nas Universidades em Portugal com 20 valores. Entre elas está Carlota Costa que entrou no Curso de Direito na Universidade do Minho com a nota mais elevada.
Este texto dirige-se a esta vilaverdense – terra de um dos maiores juristas portugueses do século XX, o Professor João Baptista Machado (1927-1991) –, mas não só, pois tem em vista, todos aquelas e aqueles que entraram este ano num dos cursos mais desafiantes e exigentes da Universidade, sem menosprezo pelos restantes.
Quem entra em Direito por vocação procura a Justiça, pois o Direito sem Justiça nada vale e para nada serve. A Justiça é a mais nobre vocação do Direito. É certo que é muito difícil definir o que ela é, mas geralmente sabemos bem o que é a injustiça. E é exatamente contra ela, contra todas as formas que ela assume, que cumpre lutar sempre, mesmo quando nos dizem que é esforço vão.
Por outro lado, seja qual for a profissão a seguir depois de terminado o Curso e para além das mais tradicionais como a advocacia, a magistratura e a de professor, o Curso de Direito abre caminho para muitas outras. O Direito bem entendido tem horizontes largos e também por isso vale a pena.
Importa ter presente, noutro plano, que o decorrer do Curso traz surpresas e às vezes de entre alunos que a ele chegaram com médias relativamente baixas surgem revelações que ultrapassam todas as expectativas. O que importa é levar o Curso a sério e sentir-se bem dentro dele.
Ao chegar à Escola de Direito da Universidade do Minho os novos alunos devem visitar a Biblioteca da Escola e nela encontrarão a figura de Francisco Salgado Zenha (1923-1993), um advogado natural de Braga, admirado em todo o país pelas suas qualidades pessoais e profissionais, cuja riquíssima Biblioteca foi doada à Escola. Uma biblioteca que não é só de Direito, pois um bom jurista não está limitado apenas pelo conhecimento deste domínio do saber.
E, uma vez dentro da Escola, espera-se destes novos alunos o cultivo da camaradagem entre colegas, começando muitos deles uma amizade para a vida, tendo presente que eles devem sobressair nomeadamente pela seriedade, lealdade e ajuda aos colegas. E devem ser exigentes e irreverentes, não se acomodando a rotinas.
Uma palavra sobre a praxe: alunos universitários que se submetem a praxes humilhantes ou incompatíveis com a dignidade da pessoa (infelizmente tão comuns) estão a mais na Academia e, então, se são de Direito, pior ainda. Um jurista em formação bate o pé pela sua dignidade desde a entrada na Universidade.
E neste tempos de mudança com a paz mundial em perigo, o direito internacional espezinhado e a inteligência artificial a revolucionar tudo, aparecendo no horizonte uma luta entre esta e a inteligência humana, o que podemos esperar deste Curso de 2026/2027, ainda que dentro dos seus limites? O tempo o dirá. Quatro anos passam muito depressa!
Boa sorte!