Viver isolado em diversas circunstâncias, quer profissionais, quer de natureza diversa, transmite ao ser humano um grande sentido espiritual, convivendo no interior da natureza, ouvindo os sons dos fenómenos climáticos, florestais ou dos animais adaptados a cada local, região ou continente, onde a tranquilidade, o conforto da solidão e o pensamento se torna uma fonte de criatividade intrínseca à sua extensão e vertentes afetas aos valores da interioridade do pensamento.
O ser humano que vive no isolamento, com carácter permanente, transitório ou pontual, acumula uma experiência para a vida, motivadora e com resiliência, que lhe dá força para encarar os momentos mais difíceis de uma forma diferente, com serenidade, abrangência humana e sentido de amor ao próximo.
A vida do geólogo traz imensas valias quando vivida em locais isolados continentais e de etnografia diversificada, quer na floresta, quer no deserto, pois a missão de pesquisa geológica-mineira, é vivida com adaptação, às dificuldades de deslocação, comunicação e falta de recursos alimentares, que leva a viver com sentido de proximidade e enquadramento com etnias diferentes, mas que transmite um sentido de vida, com resiliência e grande espiritualidade.
Nesta missão profissional encontram-se situações difíceis de ultrapassar, mas dão força ao ser humano, para encarar a vida com naturalidade e aproximação ao nosso Criador, sendo de destacar o trabalho missionário de Pastores da Igreja, vivendo em locais isolados e com grandes dificuldades, como nos foi dado observar, em diversos países e continentes.
Ao escrever este artigo lembro os “Apotegmas dos Padres do Egito”, numa cerimónia religiosa vivida em São Martinho de Dume, Braga, e na bênção das relíquias de S. Martinho de Tours, pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, no dia da festividade anual desta paróquia da Arquidiocese de Braga.
Aqui foi apresentado o livro dos Apotegmas, traduzidos do grego para o latim por São Martinho de Dume e traduzido para português pelo Cónego Hermenegildo Faria, o qual fez uma breve introdução à cerimónia e às relíquias.
São Martinho de Dume foi uma figura incontornável e singular da Igreja Católica, reportado ao Século VI, com grande visão para a transmissão da tradição ocidental ao ocidente latino, com permanência na Terra Santa, fundador de mosteiros, vindo a ser Bispo de Dume e depois Arcebispo de Braga.
Esta cerimónia religiosa levou-me a imensos locais por onde passei transcontinentais e países isolados em África ou locais inerentes à vida em solidão, mas com trabalho assertivo e de grande reflexão introspetiva para procurar os melhores caminhos da pesquisa e prospeção, aliando ao mesmo tempo a mensagem de esperança na descoberta dos objetivos definidos na nossa área de atividade científica e profissional.
Ao ler o livro acima referido, assim como quando assisti à sua apresentação pelo Arcebispo D. José Cordeiro e intervenção do Cónego Hermenegildo Faria, fui levado ao meu passado, que valorizou a minha formação e atuação de liderança com proximidade, espírito acolhedor e compreender o próximo nas adversidades, mas não deixando de lhe transmitir abertura, acolhimento e com sentido de ajuda para ultrapassar situações adversas, mas sendo o cerne para minorar situações de cariz pessoal ou profissional, pois quem dirige deve refletir e seguir os melhores procedimentos para atenuar o desgaste profissional e situações de ansiedade.
Termino este artigo com um dos Apotegmas do livro, publicado pelo Secretariado Nacional de Liturgia: “Quando habitares com o teu próximo, sê como uma coluna de pedra: que nenhuma ofensa te abale, nem nenhum elogia te envaideça”.