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A dignidade de uma paragem de autocarro

O Hospital de Braga foi uma das grandes obras do início do século e criou uma nova centralidade na cidade, promovendo uma zona esquecida por muitos e oferecendo à cidade um hospital digno e que correspondesse às verdadeiras necessidades. Na verdade, este impacto foi regional. Desde 2011, os bracarenses habituaram-se a ter um hospital central digno desse nome e todo o distrito passou a olhar para este como uma referência na prestação de cuidados de saúde.

Nesta senda, a afluência que esta infraestrutura comporta cria dinâmicas e necessidades que exigem respostas atualizadas e pensadas para o dia a dia de quem se desloca ao hospital por razões de saúde próprias ou de terceiros. Essas necessidades estão, em primeiro lugar, relacionadas com a mobilidade e, naturalmente, com a forma de aceder ao hospital. Infelizmente, neste momento, esta infraestrutura apenas dispõe de uma única via de acesso, situação que, no futuro, terá necessariamente de ser repensada.

No entanto, é suficiente irmos uma vez na nossa vida ao hospital para percebermos que muitas das pessoas escolhem o autocarro como principal meio de transporte. Essas mesmas pessoas têm sofrido com a falta de condições atualmente existente nas paragens situadas naquele local. Aliás, diria que não é uma questão de estatísticas, mas apenas de olharmos quando passamos por lá e percebermos como aquele local não oferece as mínimas condições a todas aquelas pessoas que, semanalmente, se deslocam ao hospital utilizando o autocarro. Isto é notório, é visual. Todos vemos e sabemos as condições em que aquelas pessoas ficam no inverno: à chuva e completamente desprotegidas.

A construção de uma nova paragem é, em primeiro lugar, uma questão de justiça para as pessoas que têm no autocarro o seu único meio de transporte para o hospital. E acreditem que são muitas. Em segundo lugar, é uma forma de garantir um equipamento útil junto da principal infraestrutura pública da cidade. Andar a usar de verbas públicas apenas para dizer que se melhoraram as condições é, cada vez mais, uma forma péssima de fazer política. Acredito que há obras em que devemos assumir a necessidade de investimentos consideráveis e digo, sem qualquer hesitação, que esta é uma delas. O hospital necessita de uma paragem funcional e esta deve ser, na verdade, muito mais do que uma simples paragem: deve ser um abrigo, um ponto de informação e, ao mesmo tempo, uma forma de melhorar a mobilidade nesta zona.

Perante tudo isto, o Amar e Servir Braga e a Iniciativa Liberal ofereceram-nos, uma vez mais, o espetáculo de querer mostrar ao Executivo Municipal que mandam, mesmo não entendendo o interesse dos bracarenses. Parece que, naqueles momentos essenciais em que é a vontade e a necessidade dos bracarenses que estão em causa, vivem do sentimento de dizer que, com eles, tudo seria melhor, mas abstêm-se ou, noutros casos, votam contra. Aqui tiveram algum recato e decidiram seguir pela abstenção num ponto tão essencial. No entanto, o caminho da abstenção não merecerá o reconhecimento daqueles que precisam de mais conforto e segurança.

Esta é uma obra importante, de interesse público e, como tal, deveria contar com o apoio unânime de todos. Vamos ver se, na inauguração, quando todos estiverem felizes com esta nova obra, veremos quem contará para a fotografia. Mas, mais importante do que a fotografia, é assegurar que aqueles que acedem ao hospital têm todas as condições necessárias. Investir em infraestruturas de transportes públicos é uma questão de justiça social e o Executivo Municipal sabe disso.

Diogo Farinha

Diogo Farinha

23 julho 2026