Hoje proponho uma viagem entre Braga, nas palavras que dedico ao clube, e Portugal, naquilo que escrevo sobre a Seleção Nacional de futebol.
O SC Braga encontra-se em pleno desenvolvimento dos trabalhos de pré-época, uma vez que entra em competição quase na mesma altura em que outros clubes apenas iniciam a sua preparação para a nova temporada. O que se espera é que Carlos Vicens consiga encurtar o caminho do tempo, de modo a colocar a equipa pronta para competir com competência desde muito cedo, evitando lamentos posteriores por pontos inutilmente perdidos que possam comprometer os objetivos da nova época desportiva.
O comandante dos Gverreiros do Minho tem ao seu dispor um número elevado de jogadores, o que não significa, necessariamente, que não sejam precisos mais reforços. Na minha opinião, subsistem lacunas herdadas da época anterior que importa acautelar, para que o processo idealizado pelo técnico espanhol disponha de um plano alternativo pronto a ser aplicado quando as circunstâncias o exigirem. O SC Braga precisa de mais soluções para as alas, assim como de maior capacidade de verticalidade, algo que o futebol moderno solicita em momentos específicos.
Entre entradas e saídas existem várias indefinições, sobre as quais não me alongarei, por falta de conhecimento efetivo sobre o quotidiano bracarense. Ainda assim, é fundamental que exista assertividade na definição atempada do grupo de trabalho que irá atacar o início competitivo da nova temporada.
A outro nível, a Seleção de Portugal encontra-se por terras americanas a disputar o Mundial 2026, após uma fase de grupos que, em mim, reforçou desconfianças já existentes. Em todas as fases finais de Mundiais, tal como nos Europeus, Portugal é quase forçado pela imprensa a assumir o papel de “campeão antecipado”. Lamento informar, mas não é assim que funciona.
Deixando para trás a polémica e influenciada convocatória final, que não privilegiou a meritocracia, detenho-me agora na competição em si. Afinal, depois de elaborada a lista por Roberto Martínez, nada mais resta senão apoiar, de forma incondicional, a Nação Valente. A euforia inicial dominava o espírito geral dos portugueses, ainda que eu assumisse um otimismo moderado, pela dificuldade em acreditar no trabalho que tem sido desenvolvido pelo técnico espanhol e por quem o influencia.
A euforia pré-competição deu rapidamente lugar à frustração após o empate frente ao Congo. A goleada diante do Uzbequistão devolveu o sorriso aos portugueses, ainda que com uma desconfiança acrescida. O empate no último jogo relegou a Seleção lusa para o segundo lugar do grupo, entregando o protagonismo à Colômbia. Um encontro que se apresentava decisivo para a definição do primeiro lugar foi francamente mau, e o empate final até soa a lisonjeiro, tal foi a superioridade colombiana perante um conjunto português que nunca conseguiu impor-se num jogo de elevada importância.
Agora, o caminho é a eliminar: cair ou seguir em frente, numa espécie de “mata-mata”, como um dia lhe chamou Scolari quando orientou a nossa Seleção. A Croácia surge como o primeiro adversário capaz de apressar um regresso indesejado, caso o rendimento em campo volte a revelar níveis tão baixos como os observados frente à Colômbia.
Boa sorte, Portugal — e que haja mais competência, se não quiserem escrever uma página triste na história de um grupo de qualidade superlativa, dificilmente repetível no futuro.