«Nenhum dos que odeiam os cristãos sabe dizer a causa do seu ódio».
— Anónimo, do século II —
Ainda bem que nos descobrimos apreensivos com os discursos de ódio, que não cessam de insuflar – e incandescer – o mundo.
Na verdade, muitas das palavras que são escritas e lidas espumam rancor e excitam hostilidades.
Mas piores que os discursos de ódio são as atitudes de ódio: umas mais aterrorizantes, outras mais veladas, mas não menos danosas.
Dois mil anos depois, Jesus continua a ser a «pedra rejeitada» (1Ped 2, 4) seviciado de todas as formas e em praticamente todos os lugares.
Só no ano passado, mais de 3.600 igrejas foram atacadas ou fechadas em todo o mundo.
Na civilizadíssima França, duas igrejas são incendiadas em cada semana. No civilizadíssimo Canadá, mais de 100 igrejas foram incendiadas desde 2020. Alguém acredita em causas naturais?
Ainda no evoluidíssimo Canadá. Ao Padre Larry Holland – que recuperava de uma fratura na anca – foi «sugerida» a eutanásia no caso de o seu estado clínico se agravar.
A «sugestão» foi feita por duas vezes através de um médico e de uma enfermeira.
Na Nigéria, em 2025 mataram quase 3.500 cristãos só pelo «crime» de estarem na Eucaristia ao domingo.
Estas informações não passam nos meios de comunicação. Pelo menos, não fazem manchetes nem ocupam o «prime time» (horário nobre) televisivo.
Numa sociedade ruidosa, espanta este silêncio. Conivente? Havendo tanta – e justificada – indignação ante o discurso de ódio, parece emergir uma anestesiante indiferença perante os atos de ódio contra os cristãos.
Estão em causa vidas humanas. Está em risco a sobrevivência da matriz da nossa cultura, o alicerce da nossa civilização.
Não pavimentemos de conspiração as vias onde ocorrem os factos. Mas também não sejamos tão ingénuos quanto às motivações de certas resoluções e de determinados procedimentos.
Existe a perseguição violenta, que visa liminarmente a eliminação dos cristãos. E há as obstruções polidas, que não escondem o propósito de ir tolhendo a missão – e até a presença – cristã.
A primeira é obviamente mais brutal. Mas a segunda não é menos perigosa, tanto mais que muitas vezes está embrulhada em argumentos ardilosos, facilmente consumíveis.
As sociedades livres permitem a expressão pública da fé. Mas não se coíbem de lhe sobrepor – em espaços confinantes e horários próximos – atividades que entravam a participação nas celebrações.
Formalmente, não há impedimentos. Mas não deixa de haver pressões requintadas para que as pessoas encham praças e estádios, e consequentemente esvaziem os templos.
Há situações que poderiam ser evitadas sem recurso a normas nem sequer a bom senso. Bastaria um pouco de boa vontade.
Longe vão os tempos das «teocracias». Não as queiramos permutar por «ateocracias» dissimuladas, mas inflexíveis.
A ninguém é legítimo impor coercivamente a aceitação de uma divindade. Mas será lícito remover indisfarçadamente os referenciais transcendentes de um povo?