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Saber ser e saber fazer oposição

Tenho acompanhado atentamente no Diário do Minho as leituras de artigos escritos pelos três vereadores da lista “Amar e Servir Braga” (ASB); uma das forças opositoras na Câmara Municipal de Braga. Ora, uma vez escreve Ricardo Silva, o líder, outras vezes Mário Meireles e ainda Marta Mendes. Os três “opositores” colaboram nesta “ofensiva” comunicacional que eu reputo de “inconformada”, dados os objectivos que se propõem atingir: a tomada do poder já nas próximas eleições autárquicas. E vão continuar, certamente, esta saga até que consigam passar uma imagem credível da sua lista, uma prestação valiosa como oposição e um cardápio de ideias mobilizadoras para cativar o voto do eleitor bracarense.

1 - Com as actuais regras autárquicas em vigor, é muito complicado gerir um município sem maioria qualificada. Ou seja, sem maioria absoluta. A oposição usa todos os trunfos, como por exemplo, o trunfo de votar maioritariamente contra todas as propostas apresentadas pelo executivo, quer sejam razoáveis ou excelentes, com o objectivo de o desgastar e de impedir a normal governação. A saturação e o desgaste do executivo surgem, por isso, com naturalidade, exigindo, como resposta do poder, inteligência, sensatez e muita paciência para aturar a ofensiva mais ou menos dura e inteligente na gestão equilibrada do município.

2 - Sem dúvida, o trabalho desenvolvido pelo actual Presidente João Rodrigues (JR), tem sido de enorme qualidade e de ponderação absoluta. Até ao momento, JR tem levado a água ao seu moinho, demonstrando uma notável capacidade de contornar os problemas, através de um diálogo sentido e consentido e de uma resistência assinalável para se entender com uma oposição zangada e desnorteada. Há dossiês importantes para dar seguimento e para se concretizar no concelho. É uma tarefa arrojada e exigente para o executivo levar a bom porto as obras agendadas, quando a oposição espera ansiosamente que as coisas descambem. Conseguir conciliar a vontade pré-determinada da oposição em querer colocar pedregulhos na engrenagem, pôr tudo ou quase tudo em causa e o cumprimento integral das promessas feitas, inseridas num plano de actividades ambicioso e já em execução, é mesmo um grande desafio que requer versatilidade e determinação do parte do Presidente.

3 - As propostas que estão em cima da mesa para serem analisadas, discutidas e aprovadas, são determinantes e de grande valia para o desenvolvimento da cidade. Mesmo em minoria, nota-se que o executivo está coeso e confiante em atingir as metas delineadas. Há bons sinais no horizonte para se mudar o paradigma das “pequenas coisas” que vigorou durante doze anos. 
Os projectos são aliciantes, de facto, e a vontade é enorme. Requalificar o Convento do Pópulo, uma grande obra para ver se o grandioso edifício é finalmente acabado; reconstruir e dignificar o antigo Cinema São Geraldo, outra grande obra; desobstrução do “Nó de Infias”, uma necessidade inadiável; fecho da Variante do Cávado, uma estrutura rodoviária fundamental para a mobilidade automóvel; construção da Circular Externa de Braga, outra via estruturante para descongestionar o trêfego citadino. Mais e diversas obras se seguirão com toda a certeza.

4 - Perante este caderno de encargos, seria congruente e desejável para o desenvolvimento do Concelho que a oposição tivesse uma postura positiva de colaboração e de responsabilidade.
Não basta só pensar em conquistar o poder. Não basta fazer oposição só para se dizer que se está do outro lado da barricada. Não basta só explanar ideias e mais ideias para se dizer que a oposição tem muitas e boas ideias. É preciso, mesmo com artigos no jornal, ou sem artigos saber ser oposição. Saber fazer oposição. O tempo urge e o município não pode perder mais tempo com quezílias perfeitamente artificiais e descabidas. 
O que se sabe é que temos um Presidente motivado e muito determinado. Oposição, não sei!

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O que se sabe é que temos um Presidente motivado e muito determinado. Oposição, não sei!
 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

3 maio 2026