São expressões que têm vindo a ser cada vez mais utilizados e já fazem parte do nosso vocabulário digital. O marketplace basicamente prende-se com a existência hoje em dia de megacentros comerciais virtuais. São plataformas digitais que funcionam como “shopping centers” onde os consumidores podem ter acesso, num único local, a muitos vendedores e a milhares ou milhões de produtos, beneficiando eventualmente, dessa maior oferta e de melhores preços que os que se encontram nas lojas físicas.
Para quem se mete nas andanças das compras online, plataformas como o OLX, o Dott, ou o KuantoKusta são claramente percecionados como Marketplace. Com a explosão do comércio eletrónico, após a pandemia, os consumidores habituaram-se a fazer compras nestas mega plataformas como a Amazon, provavelmente o maior operador mundial de comércio eletrónico, mas existem hoje outros gigantes com origem no mercado chinês, como o AliExpress/Alibaba, ou a Shein ou a Temu.
Ainda em Portugal, temos o Marketplace da Worten, especializado em produtos eletrónicos e eletrodomésticos, ou o da FNAC, que acrescenta os produtos culturais (livros, bilhetes para espetáculos, etc.).
O comércio eletrónico em geral, mais o que é feito através destas plataformas digitais com alcance global, em particular, levanta inúmeras questões que os consumidores devem tomar em consideração quando compram um simples utensílio de cozinha, a qual vem da China certamente, através da Shein ou da Temu, umas sapatilhas com a mesma origem, ou um frigorífico no Marketplace da Worten, por exemplo.
Algumas questões prendem-se com a sobrevivência das empresas que operam em lojas físicas em áreas de negócio como as descritas supra, que dificilmente conseguirão resistir a esta invasão de produtos vendidos a baixo preço que vêm destes mercados emergentes com a China à cabeça. Também ao nível fiscal, os Estados têm vindo a levantar muitas questões, nomeadamente de natureza fiscal, na medida em que os produtos, são vendidos a preços tão baixos que às vezes não são taxados, mas que, pelo grande volume de transações, representam uma enorme perda de receita fiscal (através do IVA) de forma direta, e do IRC de forma indireta, pela perda de negócio dos operadores internos e de alguma concorrência desleal que provoca. Claro que o aumento desta tendência vai levar (ou melhor, está a levar) ao desaparecimento de muitos pequenos negócios e ao desemprego dos respetivos trabalhadores. Isso já é muito percetível no mercado retalhista do calçado, do vestuário, das utilidades para o lar, das peças, ferramentas e acessórios e de muitas outras áreas de negócio que seria fastidioso enumerar. Cerca de metade dos consumidores mundiais hoje compra bens na Internet, o que terá movimentado vendas na ordem dos 6,42 triliões de dólares em 2025. Os CTT (importante operador logístico nacional) no seu e-commerce Report de 2025 revela que o mercado ibérico terá atingido mais de 125 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 13,7% em relação ao ano anterior, com Espanha a representar perto de 90% desse valor.
Do ponto de vista ambiental, ninguém duvida das quantidades monstruosas de dióxido de carbono provenientes do transporte das encomendas do online, bem como das monumentais quantidades de resíduos gerados só pelas embalagens das encomendas. Embora se possa argumentar que o e-commerce evita a deslocação a lojas físicas, também ninguém dúvida que a taxa de devoluções no online é muito superior ao que se verifica nas lojas físicas.
São boas questões que se colocam à nossa consciência ambiental, à nossa carteira e ao futuro que queremos para nós e para os nossos filhos.