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Ai Nando, Nando!

 



 

 



 

Antes de tudo aquilo que te vou dizer quero pedir-te imensa desculpa pela ousadia de, no presente texto, te tratar por tu e, carinhosamente, por Nando. É que como sei que és uma pessoa sem peneiras, de bom feitio e bem-disposta, no cimo dos teus 54 anos (idade para seres meu filho), sei que não me vais levar a mal: – ai, Nando, Nando! O que foste fazer?! O que te deu para seres Ministro deste Governo? Sendo tu um ‘cagaréu’ de gema da Gafanha da Nazaré e que te deste como o peixe na água a Pró-Reitor da Universidade do Minho, nesta Augusta Cidade dos Arcebispos, por que decidiste rumar ao sul para te meteres naquele rol de governantes. E com que pasta, meu!

Eu que vejo o à-vontade, o prazer e a calma que sentes ao presidir às Assembleias Municipais da Autarquia bracarense, foste logo enfiar-te num dos calcanhares de Aquiles deste país, rodeado por uma cáfila de Sindicalistas sempre prontos a morderem-te os tornozelos e disposta a tornar a tua governação num inferno. E, apesar disso, não é que me tens surpreendido pela positiva? Sim, porque não é fácil gerir um ensino carente de professores dispostos a lecionar com verdadeiro espírito de missão. Uma vez que muitos deles se sentem desrespeitados, desmotivados e inseguros.

A esse propósito cito uma notícia que li, há alguns dias, relativa ao vexante julgamento de um professor que era acusado de ter praticado 21 crimes de agressão física – por entre croques e bofetadas – a alguns alunos de uma turma do 1.º Ciclo, em Guimarães, quando após terem sido ouvidas 51 testemunhas foi declarado inocente.

Tudo isto, por o docente ter feito uma chamada de atenção a um aluno pelo seu mau comportamento. O que levou o pai a arrastar os progenitores dos outros colegas, quiçá por simpatia, a apresentarem queixa. É que este excesso de crença dos papás na palavra dos seus birrentos filhos não só levou o docente a ver o seu nome arrastado pela Justiça, como a um intenso tratamento psiquiátrico.

De facto, são imensos os casos em que os docentes por pretenderem incutir alguma disciplina e respeito nas escolas logo são crucificados. Daí que uma grande parte dos estudantes, mesmo os com queda para o ensino, se mostrem renitentes e temerosos em enveredar por essa via. E aqui é que tu entras meu caro Nando, a tentar captar novas almas capazes de colmatarem tal brecha. Não fosse o facto de fazeres parte de um Governo minoritário e outro galo cantaria. Contudo, a meu ver, foste genial ao tomar uma medida acertada com vista a minimizar a aposentação de 46.000 docentes, até 2034, bem como os estragos que outros foram fazendo ao nível do prestígio e dignidade da classe docente que procura educar cidadãos de bem para o futuro do país e da democracia. 

Com efeito, a iniciativa prende-se com a disponibilização de bolsas a estudantes que optem pela via do ensino. E só este ano letivo, já foram pagas mais de 5.000 aos que disseram sim à proposta. Algo arrojado, mas com uma regra não menos importante: a de, caso desistam, serem obrigados a devolver o total do graveto recebido. Um bom exemplo de que aos direitos devem corresponder sempre os deveres. Ou seja, as 5.096 bolsas no valor de 697€, postas à disposição dos estudantes do básico, mestrado e superior, no público e no privado, só são pagas desde que não tenham dívidas às Finanças e à Segurança Social.

Ai Nando, Nando! Eu sei que nem és Alexandre “O grande”, da dinastia ‘argédia’, nem Portugal é o antigo reino da Macedónia para pores ordem na escola pública. Porém, digo-te que foi de mestre teres cortado 50 milhões de euros nas gorduras do teu Ministério e posto travão aos abusos dos ‘influencers’ nos estabelecimentos de ensino, por forma a evitar que os jovens se deixem contaminar pelas ideias wokistas.

Agora sim, caro sr. Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia, dr. Fernando Alexandre, peço-lhe que aceite as minhas desculpas pela ousadia e um forte abraço, como lá diz o outro, do tamanho do mundo.

Narciso Mendes

Narciso Mendes

30 março 2026