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Dia Mundial do Rim: prevenir hoje para proteger a saúde de amanhã

O Dia Mundial do Rim assinalou-se no passado dia 11 de Março. Este dia, não deve ser apenas uma data simbólica, mas uma oportunidade para reforçar a literacia em saúde e, é uma oportunidade para chamar a atenção para uma doença silenciosa que afeta cada vez mais pessoas: a Doença Renal Crónica (DRC). Trata-se de um problema de saúde pública relevante, com impacto crescente em Portugal e no mundo.

Estima-se que cerca de 1 em cada 10 adultos tenha DRC a nível mundial, e muitos desconhecem que são portadores da doença. Em Portugal, calcula-se que cerca de um milhão de pessoas possam sofrer desta condição, correspondendo a uma prevalência aproximada de 11% da população.

O rim é um órgão muito importante para o equilíbrio do corpo. A sua principal função consiste em manter o equilíbrio entre o meio interno (corpo humano) e o meio externo (ambiente). Essa capacidade é essencial, uma vez que todos os dias entram novas substâncias no nosso corpo (alimentos, água, bebidas, medicamentos), bem como existem outras substâncias que são geradas no metabolismo. Assim, o rim irá filtrar o sangue e eliminar os tóxicos e algumas substâncias em excesso (como o sal e o fósforo).

Os rins têm uma enorme capacidade de reserva. Durante anos, as unidades filtrantes – os nefrónios – saudáveis, compensam o trabalho daquelas que vão morrendo. No entanto, neste processo de compensação, ocorre uma sobrecarga mecânica e química. Há uma acumulação progressiva de toxinas no sangue e uma desregulação da pressão arterial e do equilíbrio mineral, mas o corpo adapta-se, mascarando os sintomas até que restem menos de 15% a 20% da função renal.

Muitos doentes só descobrem a doença quando esta já se encontra numa fase avançada, essencialmente porque não dói. Ao contrário de uma infeção ou de uma pedra no rim, a DRC progride sem sinais de alarme claros, mas, na realidade esta doença é muito simples de diagnosticar: basta fazer análises de rotina ao sangue e à urina para fazer o diagnóstico. Com a progressão da doença, podem surgir sinais como cansaço, inchaço das pernas, alterações urinárias, anemia, aumento da pressão arterial, diminuição do apetite e náuseas.

São conhecidos múltiplos fatores que aumentam o risco de desenvolver DRC e que estão diretamente relacionados com o nosso estilo de vida nomeadamente: Hipertensão Arterial associada ao consumo excessivo de sal, Diabetes, Obesidade, consumo frequente de medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINE’s) ou episódios repetidos de infeção urinária. A progressão da DRC para a sua fase mais avançada resulta num estado "tóxico" com consequente mal-estar e eventual necessidade de tratamento de substituição da função renal, denominado Diálise, ou até de um transplante renal.

Portugal é referência mundial na qualidade da diálise e tem um dos melhores sistemas de transplantação renal do mundo, especialmente graças à generosidade dos dadores e à eficiência das equipas. No entanto, a nossa rede de diálise é muito solicitada, e o objetivo deve ser sempre o inverso: investir na prevenção para que menos pessoas cheguem a estes tratamentos, que são física e emocionalmente exigentes.

A deteção precoce continua a ser a melhor forma de prevenir a evolução da doença, permitindo iniciar tratamento numa fase em que ainda é possível proteger a função renal. Conhecer os fatores de risco, adotar hábitos de vida saudáveis e realizar exames de rotina são passos fundamentais para reduzir o impacto da doença renal na população.

Proteger os rins é, acima de tudo, proteger a saúde global.

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Mónica Correia Costa

31 março 2026