É sobejamente conhecido que e a Educação Física (EF) e o Desporto são fontes de prazer e alegria, sempre bem aceites dentro da escola. A partir dessa característica, estes departamentos podem contribuir para o processo de inclusão de crianças e jovens com necessidades educativas específicas (NEE) na escola pública. A definição de objetivos e seus conteúdos contribuem para um melhor desenvolvimento integral da criança. A inclusão é um modo de garantir a igualdade de oportunidades e permitir que as crianças portadoras de deficiências possam relacionar-se com outras crianças e estabelecer parcerias que as ajudem a crescer. Está provado que as aulas de educação física e as atividades desportivas contribuem para o seu desenvolvimento, por ser uma disciplina onde a atividade lúdica e a liberdade se expressam, tornando-se um ambiente ideal para aprendizagem, tanto das crianças tidas como "normais", como das “com necessidades específicas” e propicia o relacionamento entre elas. Ao proporcionar o desenvolvimento integral dos aspetos motores, afetivos e sociais a educação física e o desporto permitem que a criança especial se inclua na sala e possa desenvolver as suas capacidades de uma forma correcta e mais harmoniosa. Mas para que a criança com necessidades específicas seja verdadeiramente incluída nas atividades desportivas, não basta ocupar o mesmo espaço físico ou participar em algumas atividades, mas sim fazer parte do grupo e participar em todas as brincadeiras e atividades desenvolvidas na aula, mesmo que para isso necessite da ajuda e do apoio do professor e de outros colegas. Não deve no entanto transformar-se em super proteção, pois pode dificultar o processo de inclusão. Deve oferecer-se à criança oportunidades de aprendizagem individual e coletiva que lhes permitam reconhecer a si próprio, os elementos constituintes do seu corpo e quais as suas possibilidades de atuação perante os colegas.
Alguns objetivos podem ser alcançados nas aulas, mais facilmente, se as atividades forem desenvolvidas, sempre que possível, em forma de jogos e de brincadeiras, pois eles são a melhor maneira da criança comunicar, questionar e exercitar. Através dos jogos e das brincadeiras, a criança tem a oportunidade de confrontar-se com os demais colegas e isso favorece a aquisição da sua identidade para o processo de socialização. Brincar ou jogar, para uma criança com necessidades específicas, é marcar as suas caraterísticas próprias e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento nos aspetos sócio afetivo, motor e cognitivo. Ao escolher os jogos, o professor deve estimular a participação de todas as crianças e não prevalecer as diferenças individuais. Assim, nos jogos e nas atividades em grupo deve predominar a cooperação a colaboração e a entreajuda para a união do grupo, e que cada um contribua, de acordo com sua capacidade, para o sucesso no produto final.
Partindo do princípio que a escola deve estar disponível para receber e principalmente desenvolver esse trabalho de inclusão, cabe portanto à escola e aos professores o papel de um desempenho na formação global dos alunos e proporcionar oportunidades a esses jovens para que eles retirem os dividendos finais no seu desenvolvimento físico, motor, social, e principalmente afetivo. É que se na realidade isto acontecer todos teremos a ganhar e construiremos uma sociedade mais justa e harmoniosa, e nessa altura poderemos afirmar que “todos ganhamos”!
O desporto e a inclusão social
Luís Covas
20 março 2026