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Empatia: o primeiro cuidado em saúde mental

Falar de saúde mental e de doença psiquiátrica é, ainda hoje, falar de silêncio, de medo e, muitas vezes, de incompreensão. Apesar de sabermos cada vez mais sobre estas doenças, continua a ser difícil, enquanto sociedade, saber como estar verdadeiramente ao lado de alguém que vive com sofrimento. E é precisamente aí que a empatia se torna essencial: como primeiro gesto de cuidado.

Ter empatia não significa saber exatamente o que o outro sente… significa, acima de tudo, reconhecer que aquele sofrimento é real, mesmo quando não é visível. Uma doença mental não se vê como uma ferida ou uma perna partida, mas pode ser igualmente incapacitante e dolorosa. Quando ignoramos isso, minimizamos ou julgamos, acabamos por aumentar o isolamento de quem já se sente fragilizado.

Saber que alguém tem uma doença mental ou psiquiátrica deve levar-nos, antes de tudo, a mudar o nosso olhar. Em vez de perguntas invasivas ou comentários “bem-intencionados” mas pouco ajustados – como “tens de ser mais forte” ou “isso passa”, – precisamos de aprender a escutar. Escutar sem interromper, sem corrigir, sem comparar, sem julgar… Às vezes, ajudar é apenas estar presente, mostrar disponibilidade e respeito pelo tempo e pelo ritmo do outro.

Outro aspeto fundamental é combater o estigma, inclusive nas pequenas atitudes do dia a dia. Evitar rótulos, não reduzir a pessoa à sua doença e lembrar que ninguém “é” a sua condição clínica/doença – alguém pode viver com ansiedade, depressão ou outra perturbação, mas continua a ser muito mais do que isso. Tratar com dignidade, naturalidade e inclusão é uma forma de apoio.

Quando queremos ajudar, também é importante saber até onde podemos ir. Não somos todos profissionais de saúde, e não temos de o ser ou tentar ser. Ajudar pode passar por incentivar a procura de apoio especializado, acompanhar numa consulta, ajudar a organizar o quotidiano ou simplesmente garantir que a pessoa não está sozinha. Pequenos gestos, feitos com consistência, fazem uma grande diferença.

A empatia exige ainda paciência. Os processos de recuperação nem sempre são lineares, há avanços e recuos, dias bons e dias difíceis…
Estar presente nesses momentos, sem pedir nada em troca, sem expectativas irreais, é uma forma concreta de cuidado. Da mesma forma, cuidar de quem cuida também é essencial, porque o apoio só é sustentável quando existe equilíbrio.

É igualmente importante lembrar que existem respostas especializadas e próximas para quem precisa de ajuda. As Irmãs Hospitaleiras disponibilizam acompanhamento em saúde mental, centrado na pessoa, na escuta e no cuidado humanizado, dando apoio a quem vive com doença mental e também às suas famílias e/ou cuidadores. Procurar ajuda é um sinal de coragem!

Promover a empatia em saúde mental é um compromisso coletivo. Começa nas famílias, passa pela escola, pelos locais de trabalho e pela sociedade. Quanto mais falarmos abertamente sobre saúde mental, mais normal será pedir ajuda e menos pessoas terão de sofrer em silêncio.

No fundo, empatia é isto: reconhecer o outro na sua fragilidade, sem medo, sem julgamento, com humanidade. E, muitas vezes, é exatamente isso que mais cura.

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Ana Rita Cunha

21 fevereiro 2026