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Responsabilidade nacional, solidariedade europeia

As tempestades que assolaram Portugal deixaram um grande impacto humano e territorial nas populações e nos territórios portugueses. Quem visita as regiões mais afetadas por estas intempéries percebe a dimensão das mesmas e os enormes prejuízos deixados por uma catástrofe. Habitações destruídas, explorações agrícolas devastadas e empresas e comércios locais sem conseguirem trabalhar.

O momento agora é de reconstrução porque o pós-tempestade não termina quando a chuva para. A resposta a esta tempestade não é apenas meteorológica, é económica, social e institucional.

Portugal respondeu com rapidez na fase de emergência. Os serviços públicos, a proteção civil, as autoridades locais e as forças de seguranças estiveram no terreno desde o primeiro momento a apoiar as populações e a mitigar os riscos. 

É neste momento que o pedido de apoio europeu, assumido de forma clara e com grande responsabilidade pelo Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, deve ser entendido. Este pedido não é um pedido de exceção irresponsável, muito menos um sinal de fragilidade. Este pedido é um apelo aos princípios que fundam a nossa União Europeia – a solidariedade, a coesão e a responsabilidade partilhada aplicada a uma situação de calamidade natural.

A Europa dispõe de instrumentos para responder a este tipo de choques. As catástrofes climáticas, que são cada vez mais frequentes e intensas, não são falhas de governação, são desafios comuns que – por isso – exigem respostas comuns. 

Apoiar Portugal neste período é uma necessidade. Mas apoiar Portugal também é um investimento na resiliência da União Europeia. Uma recuperação lenta ou insuficiente de um Estado-membro acabará por ter impactos que extravasarão fronteiras. É por isso fundamental apostar na coesão territorial para o crescimento sustentável europeu.

Em tempos de incerteza, os cidadãos esperam que a Europa seja parte da solução. Mostrar capacidade de resposta concreta a este tipo de situações reforça a confiança no projeto europeu e combate a narrativa de que a Europa é apenas um observador distante.

O pedido de apoio europeu é um ato de responsabilidade e de visão estratégica. Reconhece os limites do esforço nacional e a evidencia como a solidariedade europeia deve funcionar quando é necessária. Num contexto de alterações climáticas e de riscos crescentes, esta resposta é, para além de desejável, indispensável.

É tempo de reconstruir, mas reconstruir melhor, mais rápido e de forma mais justa. Este é o objetivo nacional. Fazê-lo com apoio europeu é uma afirmação de pertença e de confiança num projeto comum que só faz sentido se souber cuidar dos seus.

Paulo Cunha

Paulo Cunha

20 fevereiro 2026