Nos tempos atuais, qualquer tipo de discriminação de raça, sexismo, exclusão social, xenofobia, são totalmente inadmissíveis. Mas, infelizmente, ainda são uma realidade. No desporto, no que toca à equidade de tratamento do género começa, finalmente, a mudar. O crescimento do desporto no geral, com o mediatismo e impulsionado por atletas de referência, representa um avanço inegável na luta pela igualdade de oportunidades para ambos os géneros. Por exemplo, este ano, ao fim de 50 anos, houve uma representação feminina no voleibol de uma equipa do Irão num evento escolar internacional. No entanto, apesar das conquistas alcançadas, persistem desafios estruturais que impedem uma verdadeira valorização das mulheres no universo desportivo. Estas oportunidades de divulgação na comunicação social, passaram a dar maior destaque às atletas, quer dentro do campo, quer em campanhas publicitárias e em prémios mais justos. Este tipo de reconhecimento contribuiu para quebrar alguns estereótipos e demonstrar que o desporto feminino pode ser tão competitivo e emocionante.
No entanto, a igualdade ainda está longe de ser uma realidade plena. A disparidade salarial continua a ser um dos problemas mais evidentes. Em muitas modalidades, atletas mulheres recebem valores significativamente inferiores aos dos homens, mesmo quando alcançam resultados de excelência. Esta diferença reflete não apenas uma desigualdade económica, mas também uma desvalorização simbólica do seu trabalho e dedicação. Outro obstáculo relevante é a cobertura mediática bem mais limitada. Embora tenha havido progressos, os meios de comunicação continuam a privilegiar os eventos masculinos. Além disso, muitas vezes, no desporto feminino, há uma tendência de colocar o foco sobre a aparência das atletas do que sobre o seu desempenho, perpetuando alguns estereótipos que fragilizam a sua imagem desportiva. A falta de investimento na formação e nas infraestruturas também compromete o desenvolvimento do desporto feminino. Em muitos países, o desporto feminino tem menos acesso a programas desportivos, equipamentos adequados e a treinadores especializados. Esta desigualdade começa na base e reflete-se ao longo de toda a carreira das atletas, limitando o seu potencial.
Apesar destes desafios, é inegável que as mulheres no desporto têm demonstrado resiliência e coragem, para além de uma crescente capacidade atlética. A promoção da igualdade de género no desporto não é apenas uma questão de justiça, mas também de progresso. Valorizar o talento, independentemente do género, significa enriquecer o próprio desporto, tornando-o mais inclusivo e representativo. Muitas atletas tornaram-se símbolos de mudança social, inspirando novas gerações a acreditar no seu valor e nas suas capacidades. As mulheres não têm que ter a mesma capacidade atlética, mas têm que ter igualdade nas oportunidades na prática desportiva. O caminho pode ser longo, mas cada passo na inclusão, na equidade, na igualdade, dentro e fora do campo, aproxima-nos de um futuro mais equilibrado e justo.
Carlos