O último artigo falava de um percurso promissor do SC Braga, que parecia reentrado nos trilhos que podiam conduzir o seu projeto para patamares próximos do que se pretende. Porém, como em tudo nesta vida, as coisas às vezes são demasiado efémeras. Analisemos por partes.
O primeiro período promitente de Braga vinha da pré-época e estendeu-se até à segunda jornada. O surgimento do AFS na Pedreira foi o começo de um ciclo negativo na liga portuguesa de seis jogos consecutivos sem qualquer triunfo, algo que parecia antes impensável. A liderança de Carlos Vicens tremeu bastante, com aquela estranha forma de vida de quem rapidamente estragou tudo o que de bom fizera antes. Seguiu-se um período de recuperação, em que nenhum objetivo se perdera realmente, tanto interna, como externamente, lamentando-se, mesmo assim, aquela surreal perda de pontos frente a adversários que pareciam acessíveis. Até que começou o novo ano e já sabemos a desgraça que abalou toda a Legião, com a impensável perda da Taça da Liga e a inaceitável eliminação em Fafe, na Taça de Portugal. A equipa de Carlos Vicens voltou a esbanjar o trabalho anterior que conduziu a essa fase de decisões, voltando a sublinhar a tal estranha forma de vida dos bracarenses.
A seguir à tempestade de janeiro, António Salvador não gostou mesmo da perda das taças internas e foi ao balneário colocar alguma ordem no caos em que ele se transformara. A exigência era simples: reação a preceito e colocação em prática de valores inegociáveis para o universo SC Braga. Começava naquele momento uma nova era, que parecia consolidar processos e recuperar os trilhos (do sucesso) perdidos. As jogadas enleantes e os golos bonitos ofereciam alguns momentos que se assemelhavam a poesia em movimento no relvado, o que agradava às almas braguistas.
O mais recente período positivo continha seis jogos sem sofrer golos e quatro vitórias consecutivas na liga portuguesa, que se traduziram na chegada ao quarto lugar, visto em Braga como natural. A visita a Barcelos, para defrontar um intratável Gil Vicente, era vista com desconfiança, uma vez que apenas dois pontos separavam Braga de Barcelos na tabela classificativa, com vantagem momentânea para a renascida equipa arsenalista. Carlos Vicens parecia, finalmente, respirar melhor e trabalhar com dias mais tranquilos, após o percurso de recuperação que tanto trabalho tinha dado.
O SC Braga pediu o apoio dos adeptos e estes responderam uma vez mais ao apelo, invadindo Barcelos aos milhares. O primeiro tempo do jogo foi de superioridade arsenalista, pelo que a vantagem ao intervalo era vista como lógica, ainda que recomendasse cuidados acrescidos, porque uma vantagem mínima é sempre perigosa. O intervalo pareceu o fim do jogo para a equipa brácara, que aparentou ter ficado no balneário, ao passo que César Peixoto foi mexendo em busca do terreno perdido. O treinador gilista ousou e foi premiado, virando o resultado, tornando-se num homem do jogo. O Gil Vicente ganhou com justiça, tal como já fizera em Braga, conquistando seis pontos na luta pelo quarto lugar ao seu maior rival do momento. A Legião saiu resignada de Barcelos e preocupada com o que se segue no calendário, depois de ver a sua equipa voltar a estragar tudo o que de bom construíra nos últimos tempos. E assim, está triste o universo braguista, à espera de uma resposta efetiva do SC Braga nos tempos mais próximos.