Tem sido difícil fazer aceitar que existe racismo em Portugal, mas também tem sido complicado mostrar que a violência existente nos campos de futebol, e fora deles, é uma violência organizada. Entende-se por violência organizada aquela que se prepara durante a semana, durante meses, para ser posta em prática, talvez durante, mas sobretudo, antes e depois dos jogos. E que esta violência é racista e xenófoba e é perpetrada por uma por uma classe extremista que se vai aproveitando da “ignorância”, da "inocência", da “convivência” e, sobretudo, da “irresponsabilidade” de grande maioria dos agentes desportivos. Desta forma vemos os clubes e seus dirigentes a desculpabilizar os seus adeptos, vemos as entidades responsáveis a atirar as culpas para a estrutura desportiva (atitude dos dirigentes), vemos a imprensa desportiva sempre pronta a descobrir um qualquer hooligan, num país qualquer, e a não "reparar" nos que todos os dias, enchem os nossos estádios de faixas xenófobas, racistas e provocatórias; vemos os partidos políticos a não se meterem nestas guerras (quanto muito, ousam participar em "frentes e debates" tipo Norte/Sul, Interior/Litoral ou Continente/Ilhas) para não perderem votos deste ou daquele clube. Continuamos a assistir a membros de claques a guerrearem-se em discotecas ou na via pública, a assaltar cafés ou áreas de serviço, a partir comboios, etc., a culpa... é da sociedade? Mas há muita gente que se recusa a ajudar a limpar a imagem destes energúmenos infiltrados nas claques. E há claques que nada têm a ver com esta história e vão fazendo todos os possíveis para repor a imagem dos adeptos que vão ao futebol porque, calculem, até gostam de futebol. Que é difícil, já nós sabemos que é, mas o que surpreende é que muitas vezes os "exemplos" têm vindo de cima.
E o caso do incidente racista, desta semana, que envolveu o atleta Vinicius Jr. do Real Madrid e o benfiquista Prestianni, em que o madrileno acusou o atleta do Benfica de o ter insultado considerando um ato racista? Mas as opiniões divergem e a dúvida da veracidade do ato racista e a responsabilidade da própria vitima serão episódios para apurar pela UEFA. As instâncias que superintendem o Futebol terão que rapidamente pensar em sanções mais pesadas, que poderão passar por multas mais elevadas e/ou até castigos aos prevaricadores. A UEFA tem mesmo de seguir os conselhos da União Europeia. É que segundo uma resolução tomada em Estrasburgo, pelo Parlamento Europeu, em que apesar de felicitar a UEFA pelo trabalho feito, até hoje, no sentido de erradicar o racismo, aconselha o organismo que regula o futebol europeu a tomar “medidas ainda mais severas” uma vez que “é impensável que, na Europa, existam trabalhadores a ser alvo de racismo”. E os futebolistas não são exceção!
Não tanto ligado ao racismo mas talvez à violência, saúde-se a atitude de alguns agentes do futebol, que após receção insultuosa como visitante, por parte de alguns adeptos adversários, apelam para que os seus adeptos batam palmas quando da entrada da equipa adversária no jogo de ida. Saúdo e enalteço estas atitudes sabendo que não é fácil este tipo de apelos na medida em que está em jogo uma eliminatória e muitos milhões de euros em disputa!
Terminaria com o desejo de uma profunda reflexão, de todos, sobre este matéria e ao seu combate por parte de toda a sociedade, civil e desportiva!
Nunca é tarde...mas já não temos muito tempo a perder!
Racismo ou violência?
Luís Covas
20 fevereiro 2026