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Numa leitura em diagonal

Perante a calamidade que atingiu as regiões do litoral, especialmente Coimbra Leiria e Alcácer do Sal, foi impressionante a onda de solidariedade que comoveu todos os portugueses com imagens dantescas, semelhantes à destruição de um ataque bélico. Todos sofrem, sofremos e todos ficamos mais pobres.

Em tempo de eleições presidenciais, foi um hiato na parafernália de campanhas eleitorais, que nos deviam envergonhar: países mais ricos resolvem a questão de forma mais sensata, menos dispendiosa, e sem o alarido de latinos indisciplinados e palavrosos, sempre na cauda dos mais desenvolvidos… 

De facto, mostramos mesmo assim um grande espírito de bem-aventurados, sem apologia da pobreza, da fome, da injustiça, do choro, mas da misericórdia, bondade, solidariedade e humanidade de povos cristãos moldados na concepção de uma Igreja, também pobre nos seus agentes, mas gloriosa nos seus princípios, ao serviço dos mais vulneráveis, indefesos e frágeis.

Foi esta Igreja que moldou o nosso ethos religioso e cultural, embora com certos cristãos, anémicos, enjoados, atrevidos e rebeldes, alguns políticos, dos quais humilhando e manipulando o nosso humanismo e princípios.

É verdade. A Igreja de Cristo não são as pedras, nem as belas ogivas de catedrais. Mas os fundamentos, que a justificam como base da sua força e beleza, mais importante nos corações e nas almas que a constituem, como pedras vivas da sua edificação e força da sua Palavra… A Igreja é sobretudo, na visão paulina, “o corpo místico de Cristo” sofredor e ressuscitado expresso nos seus carismas, como na diversidade dos seus membros. Poderíamos dizer “o corpo dinâmico de Cristo” tão vivo, atento e atuante, como a diversidade dos seus membros, leigos e sacerdotes, em espírito de sinodalidade, ouvindo-se e escutando-se uns aos outros, sem atropelos nem domínio, com uma doutrina, não de códigos ou incunábulo de museu, mas viva e vivida hoje. Será esta a visão de serviço humilde e aberto uns aos outros, que se transmite?

Nem sempre assim terá sido entendida e compreendida por uns e por outros/as na multiplicidade das suas linguagens e sensibilidades. Gostei no entanto de ler algumas reflexões hauridas nas fontes, aliás já indiciadas em países cristãos mais europeus.

A “Igreja de amanhã”, sem fazer astrologia eclesial, deverá compreender as tipologias actuais (modelos) das comunidades cristãs, e discernir os caminhos a serem trilhados, olhando mais ao espírito das bem-aventuranças, criando já no tempo presente, o Reino de Deus, aqui e agora, o mais adequado e próprio. Antes de mais, una e fiel à sua essência, e na pluralidade das suas comunidades cristãs, será sempre um lugar de acolhimento para todos – crentes e não crentes –, buscando cada um o transcendente, segundo novos critérios e anseios; mas conservando uma voz profética a incutir uma frutuosa espiritualidade nos crentes, sem perder a sua identidade de pertença e identidade.sem elitismo e discriminação, todavia consciente de que não existem modelos perfeitos, embora possa ser paradigma para outros numa visão-outra para este mundo, por vezes, muito distante dos seus parâmetros e mundividência ética e moral.

Assim a compreendem os nossos cristãos e outros, que, mesmo batizados, professam valores em paradoxo, ou enviesados… aceitando ou inventando um relativismo ou agnosticismo individual?!...

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Rosas de Assis

7 fevereiro 2026