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Crer ou não crer, eis a questão

O SC Braga viveu recentemente cinco dias horríveis, quando arruinou uma temporada que tinha tudo para ser histórica. Para isso houve dois contributos distintos, em duas competições diferentes. Vamos por partes.

A final da Taça da Liga, pela primeira vez a envolver SC Braga e Vitória SC, disputada em Leiria terminou com os vimaranenses a conquistarem o troféu em disputa, contra as previsões gerais. O SC Braga era favorito, tal como tinha sido contra o Moreirense, mas isso de nada valeu na definição do vencedor. Os brácaros até se adiantaram no marcador, mas não tiveram competência para fechar o resultado nas diversas oportunidades que tiveram para ampliar o score e acabaram por sofrer uma remontada, que se tornou um vício dos conquistadores nos jogos da Taça da Liga. A equipa não estava preparada para perder, tal como os adeptos. A perda teve implicações diretas na mente dos jogadores e o que parecia o fundo estava longe de o ser.

A deslocação a Fafe, para a Taça de Portugal, era vista como uma oportunidade de levantar a equipa e atingir as meias-finais. Contudo a equipa não foi capaz de superar os fafenses e assim houve uma queda estrondosa dos comandados de Carlos Vicens, que ninguém é capaz de entender, dadas as diferenças colossais entre os dois clubes. O SC Braga atingiu um patamar abaixo de zero e ficava numa situação preocupante. Psicologicamente os jogadores devem ter ficado de rastos, acredito eu.

A deslocação a Tondela tinha tudo para correr mal e a incapacidade de marcar nas oportunidades criadas levou o jogo para um lado mais caótico, especialmente na parte final. Surgiu então o nome de Gustavo Correia, sempre sedento de prejudicar o SC Braga, a marcar uma grande penalidade e a expulsar o “Barão sueco” do SC Braga, Gustaf Lagerbilelke, num lance de abordagem normal. Lukas Horniceck defendeu e manteve a equipa na luta pelo resultado, mesmo em inferioridade numérica. O golo do triunfo chegaria já em período de descontos e com ele chegava também alguma sorte que tem andado de costas voltadas para os lados de Braga. 

Agora que a equipa parece ter-se levantado a muito custo é hora de analisar o projeto que está em marcha. As ideias novas de Carlos Vicens provocam alterações num público destinatário sem preparação para elas. As gentes do SC Braga têm um dilema pela frente que se refere a crer ou não crer neste projeto. Eis a questão do momento para os lados da Pedreira. 

Há vários exemplos de clubes que não venceram no início, com os seus responsáveis a acreditarem no que estava a ser construído e os frutos vieram mais tarde, onde todos se juntaram nos festejos. Quem comanda os bracarenses deve ser assertivo e definir o que pretende para o clube.

Acreditando que o processo em curso é para continuar, apesar do estado de coma recentemente conhecido, é preciso ajustar o plantel disponível, porque ainda existem coisas para ganhar e crescimento para promover no SC Braga. Carlos Vicens tem reduzidas soluções nas alas e a situação pode piorar com eventuais saídas em janeiro. Existe, ainda, caminho para pensar desde já a preparação da nova temporada, contratando jogadores que possam ser importantes nos tempos vindouros. 

As mudanças necessárias no plantel, para que o projeto se possa mesmo consolidar, rumo a um futuro que faça sorrir os rostos tristes da Legião, deve ser o caminho a seguir. 

Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos e juntemo-nos nas grandes dificuldades do momento.

António Costa

António Costa

22 janeiro 2026