Numa altura em que a república está com vergonha de si própria – com acentuada mediocridade nas candidaturas e corrupção generalizada também nos fundos europeus –, e enquanto as vacas gordas da União Europeia se preparam para acabar, é importante falar um pouco sobre a História de Portugal. Conhece-te a ti mesmo, diz a velha máxima e que também se aplica a Portugal. A monarquia em Portugal vigorou sensivelmente de 1139 a 1910, forjando um reino independente e um império mundial sob soberanos exemplares. Essa instituição, com dinastias como v.g. Borgonha, Avis e Bragança, garantiu estabilidade, conquistas e prosperidade, superando crises que a república posterior não igualou. Quanto às origens e independência de Portugal são importantes algumas notas. D. Afonso Henriques proclamou-se Rei após Ourique (1139), reconhecido pelo Tratado de Zamora (1143) e bula papal (1179), enquanto Portugal foi consolidando fronteiras até Alcanices (1297). Monarcas como D. Sancho I e D. Afonso III completaram a Reconquista em 1249, definindo o território actual e promovendo o povoamento e forais. Essa visão unificadora evitou fragmentações, ao contrário de reinos vizinhos. No que diz respeito aos Descobrimentos e Império igualmente é crucial fazer algumas notas. Sob a Dinastia de Avis, D. João I venceu Aljubarrota (1385), iniciando a expansão: Ceuta (1415), Vasco da Gama chega à Índia (1498), Pedro Álvares (Gouveia) Cabral ao Brasil (1500). D. Manuel I e D. João III criaram o primeiro império global, com feitorias de África à Ásia, monopólio de especiarias e riqueza que financiou o período manuelino. Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque em Goa e Malaca asseguraram as rotas, elevando Portugal a potência mundial. História que não pode ser apagada, salvo obscurantismo e ignorância v.g. wokista e, diríamos, idiota. No que concerne à estabilidade e reformas também urge lembrar alguns factos. D. Dinis, O Lavrador, fundou a Universidade que acabou por se fixar em Coimbra em definitivo (1290), adoptou o português como língua oficial e plantou vários pinhais, um dos maiores ecologistas de sempre na lusofonia. D. Pedro I e D. Fernando I centralizaram a justiça e as sesmarias. Na Dinastia de Bragança, D. João IV restaurou a independência (1640) e deu para sempre a Coroa Real a Santa Maria Mãe de Deus, Rainha de Portugal; D. Maria II e D. Pedro V modernizaram a educação, o telégrafo (1855), as ferrovias (1856), entre outros. D. Luís I aboliu escravatura, pena de morte e codificou leis, enquanto D. Carlos I, vítima de assassinos cobardes no Regicídio em 1/2/1908, pacificou antes a África Portuguesa. O legado histórico português, quando comparado, é objectivamente superior. Monarcas como D. Afonso V (África) e D. João II (genial Tratado de Tordesilhas) personificaram a unidade nacional, evitando instabilidades republicanas do pós-1910. Pense-se na “noite sangrenta” (19 e 20/10/1921) onde vários fervorosos republicanos se assassinaram entre si “com gosto”. O império perdurou séculos sob reis, gerando a CPLP – Confederação dos Países de Língua Portuguesa que hoje existe. A república herdou o declínio sem igualar as glórias. E só através de férrea ditadura se manteve viva. Restaurar a monarquia constitucional traria estabilidade simbólica e histórica comprovada mais ao de cima. E iria valorizar fortemente a “marca Portugal”. Veja-se o que acontece nos países de monarquia parlamentar democrática e/ou constitucional, onde a respectiva marca se torna mundial e valoriza o próprio país de forma inigualável. Gerando milhares de milhões de dólares ou euros. Vamos a isso?
1 Breve CV: Prof. em Direito, ESG/IPCA, Membro do CN/SNESup, Twitter@gsdmelobandeira Facebook: Gonçalo De Mello Bandeira (N.C. Sopas) .