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A disfunção do VAR

O último artigo tinha como tema central a “estranha forma de vida” do SC Braga na presente temporada, que cria condições de sucesso para logo a seguir as desperdiçar e deixar tristes os seus seguidores, como se confirmou recentemente.

Leiria assistiu, há poucos dias, a um dérbi diferente entre Vitória SC e SC Braga, disputado em terreno neutro e que, simultaneamente, decidia a atribuição do troféu referente à Taça da Liga. Os vimaranenses chegaram à final depois de eliminarem FC Porto e Sporting CP, ambos após uma “remontada”, depois de estarem em desvantagem. Em ambos os casos, os vitorianos sobreviveram à possibilidade repetida de ver a desvantagem aumentar, reagindo depois ao ponto de vencerem os dois duelos. Os conquistadores parecem ter mais vidas do que os adversários e resistem a condições adversas antes de alcançarem o sucesso.

O SC Braga batera, sem margem para dúvidas, o Santa Clara e o SL Benfica de forma consecutiva, garantindo assim a presença na final. A preparação para o jogo decisivo oferecia muita matéria para estudo, mas parece ter havido aprendizagem insuficiente por parte dos “alunos bracarenses”. Ninguém aprendeu nada, porque a história se repetiu na final. Os arsenalistas chegaram à vantagem de forma natural, falharam várias oportunidades para resolver o encontro e, depois, surgiu mais uma reviravolta vimaranense, que valeu um troféu inédito para Guimarães e a festa das suas gentes, seguidores do clube, bem como de muitos outros que se juntam sempre nos momentos de festa.

Importa fazer uma reflexão sobre o VAR, a partir deste encontro e de várias decisões tecnológicas que têm vindo a definir resultados e percursos. O lance que destaco da final refere-se ao penálti que deu o empate ao Vitória SC, resultante de uma jogada banal em que o VAR intervém de forma inoportuna, por não se tratar de uma situação clara e óbvia. A bola toca efetivamente na mão de Vítor Carvalho quando o braço seguia um movimento natural, após um duplo ressalto nas pernas do adversário. Rui Costa prestou mais um mau serviço ao futebol, algo que se repetiu ao longo dos anos enquanto árbitro. Nada de novo. Isto não justifica o apagão seguinte do SC Braga no relvado, nem a perda de um troféu que deveria ter vencido. Na minha opinião, a equipa de Carlos Vicens esforçou-se para perder, e os vitorianos repetiram a receita, vencendo com mérito próprio e demérito rival, uma vez mais.

As entidades competentes devem apostar na formação específica de agentes do VAR, criando uma carreira própria, podendo até envolver antigos jogadores nesse processo preparatório, sob pena de continuarmos a ver antigos árbitros prolongarem, com recurso à tecnologia, a incompetência que demonstraram quando apitavam, prejudicando o futebol. O VAR deve servir de auxílio à verdade desportiva, e a disfunção que se vive em Portugal não pode ser o caminho a seguir.

A final da Taça da Liga ficou ainda manchada pela morte de um adepto bracarense. O Luís Azevedo saiu de casa para viver uma noite de alegria com o clube do seu amor eterno e acabou por sucumbir às emoções do encontro, perdendo a vida demasiado cedo. Esta morte deixou ainda mais triste a Legião do Minho e, sobretudo, a sua família, cuja dor será certamente maior do que a de todos os outros.

As minhas sentidas condolências por um Braguista que partiu demasiado cedo, a ver o clube do seu coração. Que a sua alma descanse em paz.


 

António Costa

António Costa

15 janeiro 2026