A contagem decrescente para as eleições presidenciais deste domingo acentua a incerteza numa corrida que se prevê extremamente competitiva e que se decidirá apenas numa segunda volta a 8 de fevereiro, deixando em aberto quem a disputará e qual será o rumo futuro da Presidência da República no contexto político nacional.
Portugal elege um chefe de Estado num momento em que os debates políticos, as perceções sobre lobismo, transparência e os rendimentos dos próprios candidatos entraram na arena pública com força, tornando a opinião dos eleitores sobre a integridade dos aspirantes um dos fatores a observar de perto.
O antigo secretário-geral do PS António José Seguro regressou à ribalta política com uma candidatura que pretende oferecer um rosto de experiência e estabilidade, com o objetivo declarado de promover maior participação cívica e combater a desinformação. Nas sondagens mais recentes, tem aparecido consistentemente entre os primeiros, ocupando nas mais recentes o primeiro lugar, refletindo uma base de apoio sólida, especialmente entre eleitores mais tradicionais e no centro-esquerda do espectro político.
O seu estilo afável e a associação à história recente do PS são percecionados por muitos como um sinal de gestão prudente e continuidade; no entanto, enfrenta o desafio de mobilizar eleitores jovens e independentes, muitos dos quais procuram alternativas mais radicais ou menos partidárias.
O líder do partido Chega, André Ventura tem capitalizado a insatisfação de uma fatia significativa do eleitorado com o “sistema político tradicional”. A sua retórica sobre segurança, imigração e autonomia nacional fez dele uma figura polarizadora, mas persistentemente competitiva nas intenções de voto – chegando, por vezes, a liderar em sondagens conjunturais.
Apesar de críticas sobre posições consideradas extremas por alguns segmentos da sociedade, Ventura mantém-se entre os mais mencionados para disputar a segunda volta, refletindo um eleitorado ansioso por mudança e mais assertividade nas instituições de Estado.
O deputado europeu e ex-líder da Iniciativa Liberal Cotrim de Figueiredo tem obtido um apoio surpreendentemente elevado nas sondagens para um candidato liberal clássico. Cotrim traz no seu currículo a experiência no Parlamento Europeu e um discurso focado em economia de mercado, redução de burocracia e reforço das liberdades individuais.
Algumas sondagens recentes mostraram Cotrim a rondar níveis de intenção de voto semelhantes aos de Ventura ou mesmo superiores aos de figuras partidárias mais tradicionais – um sinal de que a liberalização económica e a crítica ao “status quo” político têm ressonância num segmento do eleitorado.
O almirante reformado e antigo coordenador da campanha de vacinação, Henrique Gouveia e Melo, entrou na corrida com forte capital simbólico, resultado da sua liderança visível durante a pandemia.
Originalmente apontado como um dos favoritos em muitas sondagens do início da campanha, a sua popularidade sofreu uma quebra significativa nos últimos meses, uma vez que o apelo inicial de “figura de consenso” não se traduziu em crescimento contínuo de apoio.
O declínio nas intenções de voto tem sido atribuído, por analistas, à fragmentação do eleitorado e à perceção de que o seu perfil técnico, embora respeitado, carece de proposta política clara numa campanha cada vez mais centrada em temas sociais e económicos.
A campanha do ex-líder do PSD Marques Mendes tem sido afetada por uma polémica pública em torno dos seus rendimentos privados, mas a discussão sobre perceções de privilégios e proximidade a interesses económicos, que tem alimentado críticas sobre a falta de transparência e possíveis ligações a lobbies, transformou-o de favorito a último dos cinco candidatos nas sondagens.
O próprio candidato reconheceu que essa polémica “baixa um pouco o nível da campanha”, defendendo esclarecer a situação e sublinhando que não houve irregularidades, mas a discussão sobre perceções de privilégios e proximidade a interesses económicos tem marcado parte do debate público.
O próximo dia 18 de janeiro, promete ser uma data de decisão crucial para o futuro político de Portugal. Com um eleitorado dividido e cinco candidatos com potencial real de marcar presença na segunda volta, a eleição presidencial de 2026 reflete não apenas preferências sobre personalidades, mas debates profundos sobre confiança, transparência e a direção que a sociedade portuguesa quer seguir nos próximos anos.