É no afã, na alegria e na disponibilidade das pessoas difundidas pelas ruas, praças e largos da nossa cidade (augusta, bimilenar, barroca e dos Arcebispos) de Braga que se adivinha já que estamos a caminho do Natal; e, então, a curiosidade, o bulício e o espanto da criançada frente às montras das lojas de brinquedos e de enfeites multicolores são a prova provada de que a grande noite se aproxima.
Todavia, é tempo de pararmos para refletirmos sobre o mundo em que vivemos; e, sobretudo, que festas se projetam para celebração do acontecimento maior que deu aos homens um Menino que se chamaria Jesus de Nazaré, filho de José e Maria.
Ora, não é o mundo em que vivemos, plenamente aquele que o Menino nos veio anunciar e pelo qual se deixou sacrificar; e mormente quando entre os homens reinam a fome, a injustiça, a maldade, o egoísmo, o individualismo e a pobreza e, pior ainda, a guerra que espalha o terror, a carnificina e a destruição e ceifando milhões e milhões de vidas inocentes.
Assim sendo, momento oportuno é de lembrar o que sobre essa calamidade sobre-humana proclamou, alto e bom som, o Padre António Vieira, jesuíta, português, orador e escritor (1608/1697); e que atualmente grassa em vários países com extrema violência e desumanidade, como seja, por exemplo, em Gaza, na Ucrânia e no Sudão.
É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas e, quanto mais come, tanto menos se farta.
É a guerra aquela tempestade terrestre que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos e as cidades e talvez em um momento serve os reinos e monarquias inteiras.
É a guerra aquela calamidade em que não há mal algum que ou não se padeça ou se não tema, nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem segura a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem segura a honra, o religioso não tem segura a sua alma e até Deus nos templos e nos sacrários não está seguro.
Pois bem, enquanto houver entre os homens muitos ricos e muitos pobres, ódios e injustiças, fome, maus tratos e invejas está por cumprir a mensagem que Jesus de Nazaré nos deixou; e que se traduz, fundamentalmente, em paz, alegria, concórdia e amor entre todos os homens que mais não do que a mensagem cada ano exposta no presépio de Natal, símbolo maior da paz e amor que deve existir entre todos os homens de boa vontade; e, mormente, expressa nas palavras que dirigimos uns aos outros desejando um bom e Santo Natal.
E esta mensagem que há mais de dois mil anos nos é transmitida por exemplos e por palavras, sobretudo, na época natalícia só será plenamente cumprida quando todos os males que assolam o mundo em que vivemos; e, mais ainda, quando por detrás dessas palavras e exemplos se não acobertar a covardia, a maldade, a mentira e a fantasia de quem as pronuncia.
Depois, temos de pensar que a guerra é, para além de todos os males que nos atingem um pouco por todo mundo, o maior e mais flagelador de todos; e só poderá ter um fim que a todos contemple, quando a inveja, a maldade, a cobiça e desejo de poder sejam definitivamente irradiados e tragam consigo a desejada paz e concórdia entre todos os homens de todos os credos e raças.
E, então, cada um de nós fará do seu Natal um hino de paz e amor que incendeie no coração de toda a Humanidade, ou seja entre todos os homens de boa vontade o desejo de lutar pela implantação dos bens maiores como a concórdia, a paz e o amor, contra a injustiça, a maldade e o egoísmo; e só este espírito de boa vontade pode trazer os melhores e maiores presentes de Natal que serão a verdadeira doação e partilha de paz e amor que se desejam para uma vivência diária de um Santo Natal.
Então, até de hoje a oito.