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O Poder Local: que realidade? (3)

 


 

 


 

Por ter alguma experiência em matéria autárquica e ter plena consciência da importância do Poder Local na vida das comunidades, é que me debrucei à reflexão da temática em questão relativa ao processo eleitoral de Outubro. O Poder Local é relevante pelo trabalho que realiza junto das populações e também pela disponibilidade com que os autarcas eleitos, de um modo geral, encaram este serviço público. E quando bem exercido é uma retaguarda confiável e valorativa para as pessoas e um garante de estabilidade social e cultural nas comunidades. 


 

1 - Um assunto demasiadamente discutido em muitas cidades europeias prende-se com o fenómeno do “turismo”. Em Portugal também começa haver vozes discordantes. Ora, o turismo está bem encorpado na agenda económica da cidade. Não há dúvida que este fluxo de gente foi cativada pela boa oferta que a cidade proporciona. O turismo está mesmo em alta e com tendências claras para um aumento significativo. Pelos comentários que veiculam, infere-se que a segurança, a monumentalidade, a gastronomia são alguns dos polos atractivos que prendem o turista que vê e sente algo diferente nesta cidade.

É perfeitamente visível, sentido e conhecido que a nossa cidade tem uma História e uma monumentalidade de causar inveja a cidades semelhantes. A título de exemplo: Braga foi na Era Romana a capital da Baixa Galécia. Foi capital do povo Suevo. Foi a Sé Primaz das Espanhas. Teve um papel primordial na Fundação de Portugal em que os seus arcebispos estiveram sempre activos e ao lado de Afonso Henriques, o primeiro rei. Braga teve figuras emblemáticas na Cultura, na Religião, nas Artes, no Ensino; foi sempre uma cidade marcante na Península Ibérica. Daqui partiam importantes vias de comunicação que ligavam a cidade a todo o império romano.


 

2 - A faceta da antiguidade de Braga deve, por isso, estar sempre presente na mente dos autarcas até para sentirem bem o peso desta dimensão histórica e actuarem conforme os pergaminhos recebidos desses tempos de grandeza. A cidade de Braga tem, efectivamente, grandeza histórica e tem espírito de gente de cultura e de arreganho. Os autarcas que estão para chegar terão que olhar bem de frente para a cidade, para as suas gentes e para a sua monumentalidade e fazer tudo para a conservar e preservar como herança nobre do passado e como riqueza económica no presente, apesar de algumas “ideias” dissonantes. Preparar bem o presente para o futuro da cidade ser radioso é uma exigência a ter na devida conta. 


 

3 - Conservar e preservar a monumentalidade tem que ser um compromisso firme e uma exigência para o bem-estar e orgulho citadino. Braga não era nada sem a sua história e sem o seu património monumental. Nesta perspectiva, não é aceitável que um pano de parede da velha Sé virado para a Rua do Souto esteja ainda grafitizado, depois de ter sido noticiado no DM, há meses. Não é aceitável que a fonte instalada em frente ao Campo das Hortas ainda apresente aquele aspecto de abandono e de ameaça de ruína, depois de ter sido noticiado no DM. Não é aceitável que se construísse e se alojasse no Campo da Vinha um “monumento pífio, sem gosto e sem jeito” ao grande arcebispo D.Diogo de Sousa. Não é aceitável que em doze anos não se tivesse corrigido o grande disparate do Campo da Vinha. Uma praça espaçosa, plana e arejada, passou a albergar mamarrachos, pisos inclinados e escorregadios e uma visualização caótica sem qualquer gosto e enquadramento citadino. Promessas houve para a requalificação. Para lhe dar dignidade. Asseio e organização. Trabalho nesse sentido, zero.


 

4 - É impossível falar de Braga, na vertente ambiental, e não referir, na reflexão, o adiamento incompreensível da construção do Eco-parque das Sete Fontes. Num tempo em que se fala tanto em Ambiente e em alterações climáticas não é aceitável que não se tenha um cuidado e uma sensibilidade especiais para se construir grandes zonas arborizadas, espaços de lazer e climaticamente saudáveis. Braga tem que ser um município verde, num Minho todo ele verde. Não se compreende o impasse que originou o empecilho e incumprimento da promessa das “Sete Fontes”.

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

7 setembro 2025