No primeiro artigo que escrevi sobre as Jornadas da Juventude, dei conta de como nasceram e foram depois fomentadas pelo Papa S. João Paulo II, que teve a sua última presença nesta iniciativa que promoveu, no ano de 2002, em Toronto, Canadá, IX JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE. Deus chamou-o para o Céu em 2/05/2005.
Mas os seus dois sucessores não abandonaram esta actividade em prol da juventude. Por isso, em 2005, na sua pátria, esteve o Papa Bento XVI, sucessor de S. João Paulo II, em Colónia (X Jornada Mundial da Juventude), que é a cidade onde se encontram sepultados os Reis Magos. Chegou num barco, no Rio Reno, sendo recebido nas suas margens, associando muitos a chegada por esse meio de transporte à Barca de Pedro. O Santo Padre lembrou aos jovens que a presença de Cristo na sua vida “de nada vos priva do que tendes em vós de belo e de grande”. Na Missa do envio, celebrada em Marienfeld (calcula-se que estiveram presentes cerca de um milhão de pessoas), Bento XVI teve oportunidade de dizer com firmeza que a “hora de Cristo é a hora em que o amor vence”. Foi também por iniciativa de Bento XVI, que a vigília da JMJ passou a contemplar um tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento.
Sidney, na Austrália, o lugar escolhido para a XI Jornada (2008). Esta edição foi a primeira realizada na Oceania e a segunda no hemisfério sul, depois de Buenos Aires, em 1987. Começou formalmente com a chegada da cruz da JMJ em 2007 à Austrália, percorrendo doze dioceses antes da chegada do Romano Pontífice, que aterrou em Sidney em Agosto de 2008. Perto de meio milhão de peregrinos de cerca de 200 países estiveram presentes na vigília e na Missa de envio. Bento VXI crismou 24 jovens, a quem disse: “Para aqueles que receberam este dom, nada mais pode ser com antes. Ser “baptizados” no Espírito significa ser incendiados pelo amor de Deus. “Beber” do Espírito significa ser refrescado pela beleza do plano de Deus sobre nós e o mundo, e tornar-se por sua vez uma fonte de frescura para os outros”. Foi ainda nesta edição, na Austrália, que a JMJ passou a estar presente nas redes sociais.
2011: XII Jornada Mundial da Juventude, em Madrid. O Lema desta edição: “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (Col 2,7). Tal como em Toronto, o tempo atmosférico não foi o mais pacato. Durante a Vigília, os peregrinos tiveram de enfrentar uma forte tempestade de chuva e vento. Mas, apesar de se ter posto a hipótese da suspensão do encontro, os jovens, com a sua habitual firmeza e coragem, estiveram no aeródromo de Cuatro Vientos em massa, apesar dos aguaceiros. Aí se encontraram mais de um milhão de pessoas. Na manhã seguinte, os participantes que ali tinham pernoitado, ouviram Bento XVI afirmar que “a fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele”. Entre os patronos desta Jornada, encontravam-se santos famosos da história espanhola: Sto. Inácio de Loyola, Sta. Teresa de Jesus e S. João de Ávila. Esta foi a última presença de Bento XVI nestas Jornadas, porque algum tempo depois, renunciou à sua condição de sucessor de S. Pedro na chefia da Igreja, dando lugar ao seu sucessor, o actual Sumo Pontífice,
O Papa Francisco já esteve presente em Três Jornadas: a XIII, em 2013, no Rio de Janeiro, Brasil; a XIV, em Cracóvia (2016), Polónia; e na cidade do Panamá, capital deste país centro-americano, (XV Jornada) em 2019.
Tinha sido eleito há cinco meses quando se deslocou, em 2013, ao Rio de Janeiro. E aí disse ao jovens com a sua habitual simpatia e simplicidade: “Espero que façam barulho”. Certamente que assim os encorajava a dar testemunho da sua fé em todo o lado e a envolverem-se nos problemas do seu tempo. Foi a segunda mais numerosa da história, com mais de três milhões e meio de participantes. Como é natural, a maioria pertencia ao continente americano. Em Copacabana, num ambiente de festa e de oração, Francisco sublinhou que “o Evangelho é para todos e não apenas para alguns”, incitando os jovens a serem “protagonistas da mudança”.
Em Cracóvia, (XIV Jornada) os santos patronos eram ambos polacos, como é compreensível: S. João Paulo II e Sta. Faustina. Na Vigília de oração, no “Campus Misericordiae”, o Santo Padre voltou a pedir aos jovens para não se acomodarem: “Queridos jovens, não viemos ao mundo para “vegetar”, para passar comodamente os dias, para fazer da vida um sofá que nos adormeça; pelo contrário, viemos com outra finalidade, para deixar uma marca”. O Papa aproveitou a sua ida à Polónia para visitar o santuário da Divina Misericórdia e a capela onde repousa Sta. Faustina, assim como os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, onde se manteve alguns minutos em silêncio e oração.
2019, cidade do Panamá, XV Jornada. Apesar de ser um pequeno país, o Panamá abriu os braços e recebeu os vários milhões de peregrinos que vieram celebrar o encontro dos jovens com o o sucessor de S. Pedro. Este apresentou a Virgem Maria como “a maior ‘influencer’ da história”. “Maria, a ‘influencer’ de Deus. Com poucas palavras soube dizer ‘sim’, confiando no amor nas promessas de Deus, única força para tornar novas todas as coisas. O Papa almoçou com 10 peregrinos dos cinco continentes, como representantes de todos os participantes. Pela primeira vez, a JMJ contou com a presença da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.
E esta também será, certamente, uma presença inevitável e profundamente estimável na próxima Jornada (a XVI), que se realiza em Portugal dentro de alguns dias.