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Sevilha etern(izad)a

O mundo bracarense parou nos últimos tempos, concentrado na preparação cuidada da deslocação a efetuar à cidade andaluza de Sevilha, para disputar a segunda mão da antepenúltima etapa da presente edição da Liga Europa. Nada mais importava, para além de assegurar a presença num local que, em Braga, tem um significado superlativo.

Tudo tratado e mobilização geral efetuada, de avião, autocarro e viaturas particulares. Pouco importava o meio, uma vez que estar presente era o desejo comum. A Legião invadiu Sevilha, que se pintou de vermelho e branco, num dia festivo para um jogo que haveria de ser épico.

A preparação foi cuidada, mas a entrada no encontro foi em falso da parte bracarense, com tudo a correr mal e os piores receios a invadirem os corações braguistas. Os dois golos de vantagem dos “béticos”, bem cedo, faziam temer o pior. Após a primeira meia hora de jogo, o SC Braga ressuscitou com o primeiro golo e haveria de realizar uma segunda parte que orgulha tudo e todos. As bancadas viveram momentos que estas palavras não conseguem descrever, porque quem não sente, não entende. A minoria bracarense nas bancadas sobrepôs-se à maioria sevilhana, silenciando-a, porque, como diz uma letra de apoio à equipa, “tua gente não te troca por nada, ninguém fica em casa, quando joga o Braga”.

O La Cartuja proporcionou uma variedade de sentimentos tremenda, onde as lágrimas simbolizavam a felicidade de quem passou, no mesmo jogo, das profundezas do inferno à glória celestial, provocando a debandada geral dos “béticos” antes do tempo. A exibição de excelência realizada, em especial após a desvantagem, num coletivo onde destaco os marcadores dos golos – Pau Víctor, Vítor Carvalho, Ricardo Horta e Gorby – ficará certamente para memória futura.

Terminado o jogo mais épico de sempre, houve momentos de comunhão entre os adeptos e destes com a equipa que não têm preço. Ao balneário chegaram palavras cantadas dirigidas a Carlos Vicens, reveladoras da vontade global de estar presente em Istambul, seja com café ou com Red Bull. A bebida pouco importa, se for para celebrar a maior conquista de sempre, que alimenta o sonho de toda a Legião do Minho e que deve merecer o apoio de um país que pode beneficiar com essa eventual vitória.

Sevilha foi épica outra vez. Sevilha foi ainda mais épica desta vez, porque foi preciso começar o jogo com dois golos de desvantagem, surgidos na sequência de duas perdas de bola com aproveitamento máximo dos “béticos”, e depois remontar o resultado até ao sublime 2x4 final.

Uma nota final, em forma de desafio, à Câmara Municipal de Braga, para que seja atribuída a uma Avenida ou Rua o nome de Sevilha, como forma de eternizar um local onde o SC Braga foi duplamente feliz. Braga tem de ter uma ligação efetiva e perene com Sevilha, porque o SC Braga já foi muito feliz naquela cidade da Andaluzia. Sevilha teve mais uma noite eterna para os bracarenses e merece ser eternizada, para que as memórias revivam, por muitos anos, aqueles momentos sublimes.

Agora, a estrada continua, com paragem na estação de Friburgo, porque nós sonhamos juntos e queremos vencer juntos. O SC Braga continua vivo nas competições europeias e a vontade de superar todos os limites é infinita.


 

António Costa

António Costa

23 abril 2026