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Liberdade que és tão bela

A liberdade é bela no preciso momento em que a conquistamos. Depois inúmeras vezes torna-se uma banalidade, algo que não precisamos de cuidar. Henrique Monteiro – jornal Expresso.

Ora, não chega este aforismo para que a liberdade se torne um bem perene, em permanente utilização e gozo; é que, para que tal aconteça, necessário é que os homens que por ela lutaram não baixem os braços e, assim, deixem de a defender; e digo mais: pior do que baixar os braços e deixar de a defender é esquecerem-se de quanto lhes custou a conquistá-la.

Assim, estou a lembrar-me porque, quando aconteceu o 25 de abril – momento de conquista da liberdade – era um jovem e tinha já uma vivência bem dura dos finais da ditadura; e, então, longo foi o caminho que foi preciso desbravar para que esta benfazeja e inolvidável conquista se enraizasse no coração do povo.

E para que tal acontecesse com sucesso viveram-se momentos de muita inconstância e, até, afrontamento à imposição segura da liberdade; basta lembrarmo-nos dos movimentos de extrema-esquerda e de extrema-direita, estes que acabaram por ser proibidos pela Constituição, através da ilegalização de alguns partidos políticos que lutavam pelo fim da liberdade, e aqueles que se acalmaram e aceitaram, devido aos avanços da democratização da sociedade.

Pois bem, vamos já, no próximo sábado, comemorar o quinquagésimo segundo aniversário (52 anos) do 25 de abril ou seja da instauração da Democracia, o que não deixa de ser uma bonita e festiva idade; mas, temos que ter sempre presente a exigência de lhe dar uns constantes impulsos de reativação, reafirmação e Viabilidade, porque começam já a desenvolver-se na União Europeia movimentos populistas e ditatoriais que pretendem o fim das democracias, casos de Itália, Grécia, França e Espanha e a que Portugal começa a ser aderente.

E este fenómeno não é de agora, porque se recuarmos no tempo, que é como quem diz na história das nações depressa constatamos que muitos homens se esqueceram facilmente de a defender e lutar por ela; e, pior ainda, a deixaram resvalar lentamente para a ditadura, como são visíveis em alguns países de que exemplo maior é a Rússia, onde homens que conquistaram o poder através da luta pela democracia, se deixaram enredar nas teias da autocracia e do poder absoluto; também na Alemanha o exemplo de Hitler que chegou ao poder através de um partido social-democrata e depressa derivou e abraçou o poder absoluto, dá que pensar e não desejar.

Agora, desçamos ao período da conquista da Democracia no nosso país e facilmente podemos concluir que nem sempre os mais preparados para a defender, ativar e robustecer tiveram êxito fácil e oportuno; e, até, os verdadeiros democratas nem sempre se esforçaram e tiveram êxito na defesa da dignidade da pessoa humana, como nos direitos fundamentais que resultam na construção de uma sociedade solidária, justa e livre.

E, assim, a liberdade que é tão bela e desejada facilmente corre o perigo de se abastardar e inclusive ser dominada pelo poder antidemocrático; e esta verdade acontece muitas vezes saída das mitos e da cabeça de democratas que se dizem defensores das regras e dos direitos da Democracia e de sua aplicação.

Por isso, a defesa da liberdade tem enormes custos nem sempre de fácil aplicação; e, deste modo, a implantação da ditadura está constantemente à espreita na mente dos ditadores e autocratas que se dizem defensores e amigos do povo o que nos deve prevenir e predispor para lhe darmos luta e abastardamento.

Então, nunca é demais lembrar o que o jornalista Henrique Monteiro, escreveu, recentemente, no jornal Expresso e com que abri esta NORTADA: A liberdade é bela no preciso momento em que a conquistamos. Depois inúmeras vezes torna-se uma banalidade, algo que não precisamos de cuidar; é, pois, aqui que pode começar o seu fim, quando os ditadores, os autocratas e os populistas entendem que chegou o momento de acabar com ela.

Então, até de hoje a oito.

Dinis Salgado

Dinis Salgado

22 abril 2026