No Dia da Europa que hoje se assinala, celebra-se o aniversário da histórica Declaração de Robert Schuman, então ministro dos Negócios Estrangeiros da França, feita em Paris a 9 de maio de 1950. Nela expressou a sua ideia para uma nova forma de cooperação política no Velho Continente, de forma a evitar uma guerra entre países europeus. Nesta Declaração propunha-se a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço a fim de construir um mercado comum destas duas matérias-primas entre os países fundadores (França, República Federal da Alemanha, Itália, Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo). Estava assim lançada a semente do que é a União Europeia (EU), como atualmente a conhecemos.
A EU comemora este dia com diferentes atividades que decorrem em todos os Estados-Membros e nas instituições sediadas em Bruxelas, no Luxemburgo e em Estrasburgo. Este ano foca-se na necessidade de aquisição de mais competências dos trabalhadores para melhor emprego e para que as empresas se possam desenvolver e cumprir a sua missão.
Em Portugal, o centro das comemorações é Leiria que será palco de um conjunto de atividades preparadas pelos representantes do Gabinete do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia no nosso país e pelo município leiriense com a colaboração de diversas entidades daquele concelho. Com um programa recheado de atividades lúdicas e culturais onde são explanados os valores da EU, culmina com uma sessão protocolar no castelo daquela cidade da região centro.
É bom que assim seja e que os portugueses não se esqueçam de lembrar uma efeméride com grande significado.
Recordar o que Portugal alcançou desde que se tornou Estado-Membro a 1 de janeiro de 1986, é um exercício de memória que não se deve evitar.
Graças, primeiro à instauração do regime democrático e anos depois à adesão à EU, o país desenvolveu-se e evoluiu para patamares de desenvolvimento nunca alcançados. Foi-se o analfabetismo endémico e a pobreza diminuiu significativamente.
Hoje, os portugueses nascem e vivem mais e melhor. Nas últimas décadas ocorreram transformações muito significativas que contribuíram para uma estrutura social muito diferente. Assistiu-se à emancipação da mulher e a uma emigração maciça para as cidades. Houve uma valorização significativa do trabalho e as mudanças na saúde e na educação foram manifestas.
A sociedade tornou-se mais aberta e os portugueses têm hoje direitos idênticos a qualquer outro cidadão da EU.
É evidente que “não há bela sem senão”.
O fim da sociedade profundamente rural levou à desertificação de boa parte do interior do país. As famílias tornaram-se mais pequenas e há um sério problema demográfico. Já não há condições para reter os velhos em casa e muitos destes estão cada vez mais sozinhos.
A sociedade contemporânea está tomada pelo egoísmo e a despir-se de valores humanos como o respeito, a verdade, o amor, a honra e a integridade.
Estes princípios pautados na ética, na moral e nos bons costumes
são essenciais para que haja harmonia, felicidade e mais justiça, o que infelizmente não abunda nos tempos que correm.
Perspetivando o futuro, com as novas gerações enleadas nesta crua realidade, que sociedade teremos?
Não percamos a fé e a esperança e façamos a nossa parte para que a comunidade nacional corrija este processo de degradação já bem patente nos nossos dias.
Neste Dia da Europa, façamos um exercício de memória e prestemos uma homenagem ao homem que num rasgo de sábia lucidez lançou os alicerces do progresso, do desenvolvimento e da paz de que temos usufruído desde o fim da II Grande Guerra Mundial.
Neste Dia da Europa, com a guerra na Ucrânia que parece não ter fim, unamo-nos a quantos trabalham para conseguir uma paz justa e duradoura.