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«É preciso fazer um salto qualitativo em termos de estratégia de internacionalização»

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Publicado em 26 de novembro de 2022, às 13:15

Secretário de Estado do Ensino Superior defende relação entre universidades e empresas para empregar alunos estrangeiros no país.

Osecretário de Estado do Ensino Superior defendeu, ontem, em Braga, que «é preciso fazer um salto qualitativo em termos de estratégia de internacionalização».

Durante a sessão de encerramento da conferência de internacionalização “Será o nosso Ensino Superior Inclusivo?”, que decorreu na Reitoria da Universidade do Minho, organizada pelo projeto de promoção internacional Universities Portugal, Pedro Nuno Teixeira deixou às universidades um «caderno de trabalho exigente, mas à medida das condições das instituições de ensino superior».

O secretário de Estado quer envolver as empresas e a administração pública na estratégia de internacionalização das universidades, de maneira a que Portugal seja, no futuro, visto pelos estudantes estrangeiros não apenas como um local para estudar e para passar férias, mas também como um local de eleição em termos de mercado de trabalho.

Para Pedro Nuno Teixeira o processo de internacionalização está ainda muito definido por um acumular de iniciativas e não por uma estratégia única e institucionalizada do ponto de vista dos programas e dos métodos de ensino.

«Continuamos a olhar para a internacionalização centrados nas missões muito importantes de ensino e investigação, mas muito pouco centrados na terceira missão», sustentou, argumentando que o que os estudantes estrangeiros mais recomendam sobre Portugal é o facto de constituir um bom destino para fazer férias, mas poucos recomendam o país como local de procura de emprego.

Para o secretário de Estado falta assumir que um estudante que vem fazer um mestrado em Portugal faz também uma opção que tem sequência do ponto de vista profissional e que equaciona ficar em Portugal, se para isso tiver oportunidades».

«Isso implica pensar a nossa relação com o exterior, com a comunidade, com o território, também à luz dessa lógica internacional», disse, recomendando que se olhe para esta realidade não de forma compartimentada, mas estabelecendo relações de conhecimento, de parceria com as empresas, com a administração pública, com a região, constituindo estes fatores mais um elemento de atratividade para os estudantes que querem realizar o grau em Portugal.

Portugal tem que ser visto como país empregador

Para o secretário de Estado Portugal tem que ser visto por estes estudantes como um país que lhes oferece perspetivas de emprego muito interessantes.

Por isso o salto qualitativo que é preciso fazer quanto à internacionalização em Portugal «passa muito mais pela qualidade e pelo enraizamento do que fazemos e menos pela quantidade», e merece uma reflexão em conjunto não apenas com outras instituições de ensino superior, mas com outros parceiros.

«Em alguns casos vamos ter que fazer diferente e vamos ter que repensar as nossas instituições e a forma como elas captam, integram e apoiam os nossos estudantes internacionais e como integram os estudantes internacionais com os nacionais», argumentou.

Para lançar esta discussão o secretário de Estado estabeceu um termo de comparação com julho de 2016, altura em que o Conselho Nacional de Educação organizou, na UMinho, um seminário sobre os 30 anos da lei de Bases do Ensino Superior, para questionar quanto é que o ensino superior mudou, de 2016 para 2022, em termos de internacionalização do ponto de vista dos estudantes.

Recordou então que nessa altura a apreciação era de que o foco ainda eram apenas os estudantes de mobilidade, sendo necessário focar-se nos estudantes de grau, uma condição que, segundo o secretário de Estado não mudou ainda.

«Ainda há um caminho a fazer nas instituições porque elas transpuseram para os estudantes de grau aquilo que era a forma de lidar e de acolher e integrar os estudantes de mobilidade», disse, realçando que eles são dois públicos diferentes.

O secretário de Estado deixou ainda uma alerta para o facto do processo de internacionalização de estudantes de grau estar muito centrado num número muito restrito de países, o que cria barreiras à inclusão, propiciando a criação de grupos à parte.


Autor: Carla Esteves