Cerca de três centenas de investigadores de Portugal, Espanha e América Latina encontram-se, a partir de hoje, reunidos na Universidade do Minho (UMinho) para discutir o futuro da comunicação no mundo ibero-americano, dando especial ênfase aos desafios impostos pela sociedade atual, em particular o combate à desinformação digital. Este e outros temas estão a ser debatidos no âmbito do XIX Congresso IBERCOM- Congresso Ibero-americano de Ciências de Informação, uma organização da da ASSIBERCOM – Associação Ibero-Americana de Investigadores de Comunicação e do CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, que decorre até ao dia 9 de julho.
O desafio ao combate à desinformação digital partiu do próprio reitor da UMinho, Pedro Arezes, que, durante a sessão de abertura do congresso, no campus de Gualtar, instou os investigadores ibero-americanos ali reunidos a debruçarem-se em conjunto sobre «um dos desafios principais da comunicação, quer no contexto ibero-americano, mas também global, que é o combate à desinformação digital, sendo que ela tem outras ramificações».
«A rápida circulação de notícias falsas nas redes sociais influencia, decididamente, a opinião pública, como melhor saberão do que eu, mas, sobretudo, tem intensificado, e isso é visível, a polarização política e, sobretudo, mais preocupante, fragilizando as várias democracias», argumentou o reitor da UMinho.
Para Pedro Arezes «este cenário exige uma investigação sólida sobre a literacia mediática, sobre regulação digital e sobre práticas comunicacionais contemporâneas».
«E é precisamente por isso que depositamos muita esperança no contributo do conhecimento científico e da reflexão crítica, para ajudar a enfrentar estes problemas e construir soluções, que sejam elas coletivas também», argumentou.
Deixou, por isso, um apelo aos investigadores para que, nestes dias, proporcionem debates que sejam, inspiradores, e para que se estabeleçam, também novas parcerias científicas.
Teresa Ruão, membro da direção da SOPCOM- Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, salientou o caráter «verdadeiramente identitário neste universo geográfico da investigação Ibero-Americana», apesar das realidades políticas, mediáticas e sociais dos países ibéricos e latino-americanos serem profundamente distintas entre si.
«Para a SOPCOM, a relação com ASSIBERCOM e com as Associações Investigadoras do Espaço Ibero-Americano tem uma importância que vai muito além de uma mera cortesia protocolar. Portugal e a comunidade lusófona não podem, nem devem, pensar em investigação em Ciências da Comunicação de costas voltadas para o mundo Ibero-Americano», afirmou.
Cooperação
Espaço Ibero-americano tem massa crítica para influenciar investigação internacional
O presidente da ASSIBERCOM, Moisés de Lemos Martins, defendeu, ontem, que faz sentido falar de uma comunidade Ibero-Americana transnacional e transcultural de cooperação no mundo Ibero-Americano.
Partilhou assim a visão de Teresa Ruão, que defendeu, na sua intervenção, que «o espaço Ibero-Americano tem conhecimento próprio, tem massa crítica e tem originalidade suficiente para influenciar as agendas de investigação internacionais e não apenas para ser influenciado por elas».
Durante a sessão de abertura, o professor jubilado da UMinho mencionou também a «crise permanente de cultura» que atualmente se vive», a par da transição de uma civilização literária para uma civilização tecnológica e de uma civilização da escrita e da razão para uma civilização da imagem e das emoções.
«O verbo foi substituído pela imagem e o pensamento pela emoção», afirmou o investigador, salientando também os perigos da globalização que se verifica nas várias dimensões da vida humana».