Trabalhadores de norte a sul do país vão manifestar-se hoje em Lisboa, numa ação convocada pela CGTP e que culmina com a entrega de um abaixo-assinado para exigir a retirada do pacote laboral.
A manifestação convocada pela central sindical liderada por Tiago Oliveira terá início pelas 14:30 na Praça Luís de Camões, em Lisboa, rumando depois à Assembleia da República.
No final, uma delegação da CGTP irá deslocar-se à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, para entregar um abaixo-assinado com “dezenas de milhares de assinaturas” para exigir a retirada do anteprojeto de revisão da legislação laboral.
Em declarações à Lusa, o secretário-geral da CGTP antecipou que haverá uma “grande concentração", referindo que desta vez não foram emitidos pré-avisos de greve, dado que a ação é centrada na mobilização da "estrutura" da central sindical e nos "trabalhadores que estejam em condições de participar".
“Não podemos deixar que aquilo que trouxe os trabalhadores para a rua [na greve geral de 11 de dezembro] e a força que os trabalhadores deram fique sem resposta por parte do Governo", acrescentou Tiago Oliveira.
A CGTP e a UGT levaram a cabo em 11 de dezembro uma greve geral contra a proposta do Governo, a quinta a juntar as duas centrais sindicais e o que não acontecia desde a paralisação conjunta de 27 de junho de 2013.
Desde que o anteprojeto foi apresentado, a 24 de julho, a CGTP tem realizado várias ações de luta para exigir a retirada da proposta.
A ministra do Trabalho tem vindo a reiterar que a CGTP se tem colocado à margem das negociações, enquanto a central sindical rejeita as críticas, indicando que o Governo não acolheu nenhuma das suas propostas e “bloqueou” a discussão.
À Lusa, o líder da CGTP reiterou que, mesmo que o Governo não retire a proposta, a CGTP vai manter-se à mesa das negociações na Concertação Social para dar "voz aos trabalhadores".
Tiago Oliveira disse ainda que a central sindical não descarta novas formas de luta e que, perante a posição que for transmitida pelo Governo na reunião com o primeiro-ministro ou na próxima reunião plenária de Concertação Social, cuja data não está marcada, "a CGTP irá apresentar aos trabalhadores a proposta que entender necessária para dar continuidade à luta".
E não fecha a porta a avançar com uma nova greve geral em convergência com a UGT: "No momento certo e quando for necessário (...) a CGTP irá fazer os contactos que tiver que fazer. Não nos negamos a discutir seja com quem for", rematou.
A reunião entre o primeiro-ministro e a CGTP foi adiada pela segunda vez, estando agora prevista para 20 de janeiro, disse à Lusa fonte oficial da central sindical.
A proposta, designada "Trabalho XXI", foi apresentada em 24 de julho pelo Governo e já mereceu o 'rotundo não' das centrais sindicais, que argumentam que é "um ataque" aos direitos dos trabalhadores, enquanto as confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.
Perante as críticas das duas centrais sindicais, o Governo entregou à UGT uma nova proposta com algumas cedências, tendo vindo a reiterar que "não está disponível para retirar toda a proposta" e que quer manter as "traves mestras", ainda que esteja aberto ao diálogo e vai dar "mais tempo" à UGT para analisar a nova proposta.