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Troika à Cavaco

A comunicação do sr. Presidente da República, feita na quarta-feira passada, colocou a hipótese de poder haver um entendimento ou, se quisermos, um compromisso de governabilidade entre PSD, PS e CDS, uma troika para salvar Portugal da crise que estamos a viver. É uma visão idílica no que concerne conciliar o que me parece inconciliável. Por que razão me parece inconciliável? Porque o PS quer ser governo já, não quer esperar para Junho do ano que vem, cheira-lhe a poder e dele não quer abdicar. Se não fosse esta sede de ser poder, nada pareceria mais fácil. O PS nunca negou que cumpriria os compromissos internacionais, nem nunca negou, antes pugnou, por políticas económicas e empregabilidade.

Paulo Fafe
15 Jul 2013

O mesmo vai anunciando o PSD e o CDS. Então as metas e os meios para atingir estes objetivos comuns é que os diferenciam. Mas se há estes objetivos a uni-los, não me parece haver assim um antagonismo tão grande que inviabilize o entendimento entre eles. Mas há outras razões, agora de foro político, que vão tornar o PS renitente a este acordo, são o facto de se ver “colado” aos partidos de direita;  por uma velha questão de dialética de esquerda, não  vai querer fazer qualquer entendimento com o PS e CDS. Complexos mal curados. Só isto e a sede de chegar depressa ao poder o faz hesitar, se não mesmo recuar, perante o interesse nacional. O país não quer que o PS se comporte com farisaísmo, não quer que finja que quer o que na verdade não quer. Não nos venham com arrufos ou amuos passados como desculpas. Os portugueses estão fartos de partidarites exacerbadas e culparão o PS, caso não assine, de ser o culpado de levar Portugal para um buraco com saída muito estreita, quiçá dolorosa. Quem rema contra a salvação nacional está a remar contra a própria pátria. Ajudem o País se querem que acreditemos nas vossas boas políticas e intenções, se querem o voto para ser governo. A “ideologia” deste entendimento deverá ser PORTUGAL, PORTUGAL, PORTUGAL que o mesmo é dizer, portugueses, portugueses, portugueses; este entendimento quer reganhar a soberania económica e financeira nacionais, demonstrando aos nossos credores que, embora pobres, somos honrados, que a credibilidade não é uma palavra oca para os portugueses, antes toca a verdade e seriedade. Muitos dos entraves à resolução dos problemas nacionais estão na vontade política partidária, porque há interesses ideológicos  sobrevenientes que sempre se sobrepõem ao interesse nacional. Julgo que se os partidos da troika à Cavaco se entenderem, como todos esperamos e ardentemente desejamos que se entendam, talvez inauguremos um estilo  novo de governação; sendo um governo partidário, atua como tal, mas subordinado a um guião prévio. Será um governo sempre focado nos superiores objetivos do país, sem hesitações ou subterfúgios, um resumo, um governo de salvação nacional. Estamos numa situação especial e, para situações especiais, medidas excecionais. E este tempo é esta excecionalidade que estamos a viver. É este o tempo de demonstrar quem é por Portugal ou quem não ama a sua pátria. Estaremos para ver e julgar quem coloca o partido acima dos interesses nacionais e quem não os coloca. Senão tudo pode acabar num governo de “resgate nacional”, imposto por uma ditadura financeira estrangeira, e Portugal voltará à sua condição de protetorado europeu. O caminho é estreito, é certo, mas ainda há caminho, ainda nos resta este caminho. Parafraseando  Kennedy, não perguntem o que  o entendimento pode fazer por cada partido , mas o que cada partido pode fazer por Portugal.




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