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Uma conversão de alto custo. O preço a pagar

O Preço a pagar» é a história de uma conversão ao cristianismo de Mohammed, um jovem muçulmano iraquiano. Essa atitude no Iraque merece das autoridades uma fatwa – quer dizer, pena de morte. Mohammed pertencia a uma tradicional família xiita, e travou amizade, durante o serviço militar, com um vizinho de camarata, cristão.

Maria Fernanda Barroca
25 Ago 2012

Foi um encontro que mudou radicalmente a vida de Mohammed, levando-a a descobrir a «riqueza» da Bíblia e acabando por o converter ao cristianismo.
Foi uma decisão heróica, pois Mohammed sabia que a família não aceitaria e foram os primeiros a agredi-lo barbaramente, levando-o à prisão. Mas Mohammed manteve-se inabalável.
Armaram-lhe uma cilada e convenceram-no a ir a um determinado lugar ermo, onde dispararam contra ele, deixando-o gravemente ferido. Não morreu porque alguém o socorreu e levou ao hospital.  
Joseph Fadelle, nome que adoptou depois de ser batizado, foi obrigado a fugir do seu Iraque natal. Condenado à morte por se ter convertido ao Cristianismo, vive agora em França.
Até ao dia em que ingressou no serviço militar, em plena guerra contra o Irão, Joseph Fadelle nunca tinha convivido com um cristão. Herdeiro da chefia da tribo Mousavi, um importante clã xiíta que descende de Maomé, Fadelle ficou chocado quando soube que ia ter de partilhar a sua caserna com um tal Massoud que professava essa religião impura.
 “Não sabia nada sobre os cristãos, a única coisa que sabia era através do Alcorão. Por exemplo, eu acreditava que os cristãos têm três deuses. Depois, quem aceita Jesus como Deus é como se fosse ateu. Há outra passagem do Alcorão que diz que os ateus são impuros, e com esta interpretação os cristãos para mim eram impuros”.
Aos poucos, porém, afeiçoou-se a Massoud. Tanto, que achou uma pena deixá-lo nas trevas e assumiu a missão de o converter ao Islão: “Pedi-lhe para me trazer uma Bíblia para poder examinar e convertê-lo ao Islão. Ele disse-me que sim, mas que antes eu tinha que ler o Alcorão como deve ser, de forma sincera e honesta. Comecei a reler o Corão e qual não foi o meu espanto quando percebi que nada daquilo é palavra de Deus. Maomé não é aquele que se diz”.
A conversão não foi imediata, mas quando aconteceu foi de forma sobrenatural: “Na véspera da minha conversão estava a dormir e vi uma ribeira, com um metro de largura, e noutro lado estava uma pessoa à minha espera. Quis saltar, várias vezes, não consegui, mas finalmente consegui saltar, mas fiquei suspenso no ar. A pessoa disse-me: «se quiseres posso-te ajudar a atravessar, mas tens de comer o pão da vida». Eu não sabia o que era o pão da vida. No dia seguinte, o Massoud trouxe-me a Bíblia e quando a abri, a primeira palavra que vi foi «Eu sou o pão da vida». Foi um sinal muito forte para mim”.
Como não tinha sido batizado, evitou ser morto, mas foi encarcerado durante mais de um ano numa prisão e torturado. Nunca desanimou. Ao ser libertado, procurou novamente o batismo e começou a preparar a fuga do país. O destino foi a Jordânia e lá ocorreu finalmente o momento que tanto esperava. Batizado, pôde finalmente comungar “o pão da vida”.
Eventualmente conseguiu estatuto de refugiado em França, mas mesmo na Europa não está totalmente seguro: “Depois do meu livro, tive um problema porque recebi ameaças diretas de um Sheikh”.
Da sua nova vida enquanto cristão, confessa que uma das coisas que teve mais dificuldade em aceitar foi o dever de perdoar quem o perseguiu: “Levou tempo para me convencer a perdoar os outros. Rezei muito, pedi ajuda a muita gente para aprender o que é perdoar. Hoje em dia já perdoei a toda a gente. Estou convencido que o perdão foi o meu caminho. O meu problema é com o Islão, não é com os muçulmanos”.
Esta distinção entre muçulmanos e Islão é, para Joseph, um assunto importante: “Quando um Cristão é assassinado no Iraque não é por um muçulmano, é pelo Islão. Porque o muçulmano vem do Islão e é a única atitude que conhece. Se retirarmos as ideias que tem do Islão, o muçulmano é uma pessoa normal”.
Agora, apesar dos cuidados que tem de ter, pode praticar a sua fé em liberdade e nem quer ouvir falar numa suposta descristianização da Europa:  Por muito que digam contra a Europa, que o Cristianismo está a desaparecer, que há poucos fiéis nas igrejas, acredito que vão voltar. Porque não se esqueçam que a Europa é cristã”.




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