Fotografia:
Búzio paradoxal

A mágica ondulação marinha que se ouve quando se encosta um búzio ao ouvido não provém de qualquer som que tivesse ficado guardado no interior da concha, como diz a fábula.

N/D
15 Mar 2005

Como prova concludente, se tal fosse necessário, bastaria usar, em vez do búzio, um mero copo ou uma garrafa de boca mais larga: ouvir-se-á esse mesmo “ruído branco”, assim chamado por ser uma mistura de todos os sons, tal como a luz branca é a soma de todas as cores.
O rumor que ouvimos quando colocamos a concha no ouvido, deve-se à sua função ressoadora que amplia os leves ruídos do meio ambiente, de que não nos apercebemos, dada a sua debilidade. A maior parte do som, se o ambiente for silencioso, procederá precisamente do nosso próprio ouvido interno, que dispõe de umas estruturas chamadas “condutos semicirculares”, com um liquido viscoso que dá informação ao cérebro sobre a nossa posição e equilíbrio.

O ruído misto, que se assemelha ao que as ondas produzem ao bater na costa, é um simples eco amplificado da fricção do instável liquido interior. Basta agitar levemente a cabeça com um copo na orelha para que se encrespe o oceano profundo que, aparentemente, ouvimos fora mas que, na verdade, vem de dentro.

Assim acontece quando diferentes pessoas lêem o mesmo jornal ou vivem circunstâncias idênticas: a maior parte do que cada um de nós interpreta vem da nossa peculiar forma de ser. As sensações tão vivas que experimentamos e que julgamos externas, como quase todos os mal-entendidos e preconceitos, não são alheios ao nosso ser.

São apenas ressonâncias que podemos transmutar em poderes solidários, em faculdades maravilhosas, em histórias possíveis de amor, família e convívio em praias virgens com areia dourada, onde apenas têm lugar beijos e abraços para enxaguar umas quantas tristezas repartidas.

Aprendamos a ouvir a totalidade interior-exterior do espaço-tempo. Conjugando inteligência e bondade, descobriremos que ouvimos principalmente o bater do nosso coração. E a sua qualidade, em qualquer contingência, depende apenas da nossa sabedoria, vontade e decisão.




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